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EUA: nova economia e velha educação

(*) Robert B. Reich
| Tempo de leitura: 3 min

A última moda no ensino norte-americano são os exames padronizados. Os exames têm uma longa história no setor educacional, mas nunca foram empregados tão extensamente como hoje em dia. Atualmente, os jovens são examinados e logo reexaminados depois de um ou dois anos, e depois reexaminados novamente. Nossos institutos de ensino estão se transformando em verdadeiras fábricas de aplicação de provas. Paradoxalmente, estamos aplicando exames padronizados precisamente quando a nova economia está eliminando trabalhos padronizados. Se existe uma certeza sobre o que farão os atuais alunos dentro de uma ou duas décadas, é a de que não farão as mesmas coisas e que, certamente, não utilizarão o mesmo conjunto de conhecimentos. Os trabalhos na velha economia de produção em massa podem ser classificados em umas poucas variedades: pesquisa, produção, venda, escritório, gerência ou profissional. Um sistema que depende de economias de escala não necessita de muitos e diversos ofícios especializados. A maioria das pessoas passa a maior parte de sua vida profissional realizando as mesmas, ou similares, operações.

Uma educação padronizada era apropriada porque os trabalhos também o eram, ou eram em série. Em geral, o maior desafio pedagógico era o de preparar os jovens para manterem-se quietos durante longos períodos de tempo, para seguirem ordens e serem pontuais. Essas eram as capacidades fundamentais que a indústria requeria. Mas, o velho sistema de produção em massa está desaparecendo. Os computadores, a Internet e o comércio digital jogaram para o alto as velhas categorias profissionais e as converteram em uma ampla série de novas colocações, criando, assim, um caleidoscópio de maneiras de ganhar a vida.

Um amplo número de pessoas está iniciando seus próprios negócios com base na web e em casas de leilão. Indivíduos que trabalhavam em escritório ou eram secretárias estão se convertendo em operadores de páginas eletrônicas. Os vendedores transformam-se em técnicos especializados que encontram, ou criam, produtos únicos para satisfazer as necessidades particulares dos consumidores.

Há também uma crescente demanda de pessoas que fornecem atenção pessoal e comodidade. Isso inclui um grande aumento na procura de assessores, conselheiros, preparadores e treinadores. Além disso, é insuficiente a quantidade existente de trabalhadores voltados para os cuidados sanitários domiciliares, para a atenção de idosos e para o cuidado de crianças. E temos uma necessidade crônica de professores para todos os níveis, capazes de melhorar as capacidades das pessoas ao longo de toda sua vida.

O êxito em qualquer desses trabalhos não depende do domínio de um único corpo de conhecimentos como o medido através de exames padronizados. Ocorre exatamente o contrário: a maior parte do trabalho na economia emergente requer capacidade para aprender a tarefa, para descobrir e encontrar o que faz falta saber para cumpri-la satisfatoriamente, e realizá-la rapidamente. Muitos dos novos trabalhos dependem da criatividade, do pensamento inovador e de aptidão especial.

Na nova economia, os fatos e os padrões de análise podem ser descobertos ou realizados com o simples clique do mouse do computador, uma vez que a informação encontra-se eficazmente armazenada em bits e bytes. De modo que é menos necessário saber uma série de determinadas coisas. É muito mais importante aprender como identificar e resolver novos problemas, pensar criticamente e desafiar as suposições. A perspectiva mais preocupante é que todas essas provas podem ter o efeito contrário ao desejado, esfriando o interesse dos jovens em aprender e apagando sua chama criativa num momento da história em que a aprendizagem e a criatividade são mais importantes para a economia do que jamais foram.

(*) O autor, Robert B. Reich é ex-secretário do Trabalho dos Estados Unidos na administração Bill Clinton.

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