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Presidente da Febem propõe co-gestão

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente estadual da Febem, Saulo de Castro Abreu Filho, discutiu a instalação da unidade com a comunidade, ontem.

A unidade da Febem em Bauru será administrada de acordo com os interesses da comunidade local. A afirmação é do presidente estadual da Febem, Saulo de Castro Abreu Filho, que esteve ontem na cidade. Ele visitou a obra e se reuniu com empresários e representantes de entidades sociais para discutir o modelo de gestão a ser adotado aqui. Abreu Filho quer que a comunidade bauruense decida como deve funcionar a unidade. Ele propõe que a co-gestão seja realizada através da formação de um conselho que vai opinar e fiscalizar o funcionamento da unidade.

Para o presidente estadual da Febem, a visita a Bauru faz parte de uma etapa que envolve a discussão e implantação das unidades no Interior. Marília tem prioridade, porque tem no cronograma uma obra em fase mais adiantada que a de Bauru. Mas aqui nós já viemos para discutir com a comunidade o modelo de gestão que ela quer. É preciso discutir o problema do menor sem paixões. Vou também ter um encontro com empresários e políticos da região. Porque de nada adianta a Febem oferecer 46 cursos profissionalizantes e a possibilidade do menor ter um processo de ressocialização não acontecer. Porque esse menor é daqui e tem vínculos com esta região, disse.

O presidente da Febem quer que a comunidade local tome à frente o modelo de funcionamento da unidade local. Estamos propondo a criação de um conselho formado por empresários, representantes de entidades locais, da imprensa, se quiserem também, do Ministério Público, para que este conselho tenha acesso a tudo, aos programas, às internações. O conselho poderá fazer a co-gestão da unidade junto com o Estado, dizendo o que ela quer para os menores desta região. O conselho vai fiscalizar, vai ver se há dificuldade do adolescente com o funcionário da unidade, vai ver se os programas da Febem estão sendo bem implementados. A unidade é da cidade, é da região, não é do Estado. O índice de reincidência é zero em Rio Preto. Em pouco tempo nós viramos o jogo em Bauru se a cidade se engajar neste processo. Será que os empresários de Bauru não podem acolher, cada um, um só adolescente? É isso que queremos, afirmou.

Saulo de Castro Abreu Filho mencionou que uma parcela dos funcionários já está em treinamento. O Estado não chamou todos os funcionários, mas há tempo. No final de novembro vamos inaugurar a unidade de Bauru. Antes, vamos inaugurar as unidades de Ribeirão Preto, Araraquara, São Vicente, Araçatuba, Sorocaba e Marília. Sobre a resistência oferecida pela cidade de Batatais (SP), no último final da semana, contra a instalação também de uma unidade da Febem, ele disse que esse medo de que adolescentes de São Paulo vão vir para o Interior é uma manifestação pautada por puro desconhecimento do processo. No mínimo, economicamente não é viável trazer jovens de São Paulo para o Interior. As audiências desses menores são na Capital e é razoável não trazer esse adolescente para cá para ter que levá-lo a mais de 300 km de distância para uma audiência ou para visitas. Fora isso, o que é fundamental para a ressocialização são as visitas, o vínculo com familiares, amigos. Isso não é possível com uma distância tão grande.

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