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Universitários coletam doações para sem-terra

Redação
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Os diretórios acadêmicos da Universidade do Sagrado Coração (USC) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estão arrecadando alimentos não-perecíveis e sementes para os acampamentos da reforma agrária na região de Bauru, que serão entregues durante a 6.ª Romaria da Terra no Estado de São Paulo. Além dos postos de arrecadação de alimentos, instalados nas universidades, as doações serão arrecadadas como entrada para a exibição dos filmes Raiz Forte e Arquiteto da Violência, no dia 24 de agosto, às 16 e 19 horas, na sala 2A, no câmpus da Unesp de Bauru.

As entidades estudantis, juntamente com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e sindicatos, compõem o Fórum de Apoio à Reforma Agrária na cidade. Essa arrecadação de alimentos é uma forma de apoiar a luta dos trabalhadores rurais sem-terra. Os acampamentos da região, assim como em todo o País, estão sofrendo ataques do governo Fernando Henrique, com corte na linha de crédito para os assentados. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não tem mandado cestas básicas e, ainda por cima, tentou convencer a população de que o governo está fazendo a reforma agrária, agravou a estudante de Jornalismo Renina Valejo, membro do Diretório Acadêmico Di Cavalcanti (Dadica), da Unesp.

A estudante acrescenta que a maior parte dos assentamentos são resultado de ações independentes de projetos governamentais. No Brasil, apenas 13% dos assentamentos saíram de projetos do governo. Os outros 87% são fruto das ocupações de terra feitas pelo MST, afirmou.

Para Rosildo Santos, da coordenação do MST em Bauru, a campanha é um gesto de solidariedade na luta pela terra, nos acampamentos. Na região Centro-Oeste do Estado, há 150 mil hectares de terra devolutas e improdutivas. São quinhentas famílias acampadas há mais de dois anos sem serem assentadas, na região, salientou.

Pierre Graves, do diretório acadêmico de História da USC, destaca o papel da universidade nos movimentos de cunho social. Nesse contexto, a universidade não pode ser apenas centro de formação voltada para a solução de seus próprios problemas, mas, principalmente, deve direcionar o tripé ensino, pesquisa e extensão para a transformação da sociedade, observou.

Os universitários comparam o sucateamento das universidades públicas ao quadro de exclusão social no País. Assim como a universidade está sendo sucateada por falta de investimentos na educação, os trabalhadores do campo e da cidade estão perdendo seus direitos historicamente conquistados, aumentando sistematicamente o quadro de exclusão social, disse Janaína Quitério, do Dadica.

Entre a exibição dos filmes sobre a repressão policial contra o MST em Rondônia e Paraná, cuja entrada será permitida mediante doação de um quilo de alimento não-perecível ou sementes, no dia 24 de agosto, haverá um debate sobre o tema, com a participação de militantes do movimento.

Os postos de arrecadação de alimentos não-perecíveis, onde as doações poderão ser feitas durante a semana, ficam no Dadica, no câmpus da Unesp, e nos diretórios acadêmicos de História e Jornalismo da USC, que ficam no Bloco G do câmpus da universidade.

Os DAs da USC e o Dadica estão organizando ônibus que levarão participantes da 6.ª Romaria da Terra - onde os alimentos serão entregues - , com saída prevista para as 6 horas do dia 26 de agosto. Os interessados podem obter mais informações pelos telefones 231-0270 e 9793-0641.

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