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NÃO BEIJEI AS MÃOS DE CHICO XAVIER

José Quaglio
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No dia 9/8/01, nesta Tribuna, o caro missivista Antonio Ribeiro Corrêa expressou, com propriedade, sua justa admiração pelo desabrochar ou desvelar das realidades existentes no chamado mundo espiritual realçando, dentre as inúmeras qualidades do médium Chico Xavier, a de servidor dedicado e fiel de Espíritos no conjunto dessas revelações maravilhosas.É verdade. Em bem mais de meio século de trabalho honesto, equilibrado e desprendido de todas as tentações materiais e pessoais, ultrapassou a extraordinária marca de 400 obras psicografadas que, além de assombrarem o mundo intelecto-moral, mostram bem a impossibilidade de serem legado de um só homem, mormente no caso do Chico, como é sabido, por possuir apenas a 4.ª série primária.No entanto, contrapondo ao notório desprendimento do Chico acerca das coisas materiais e de convencionalismos sociais, no limiar do ano passado a TV Bandeirantes, através da bela reportagem sobre ele, sua vida e suas obras psicografadas, mostrou um documento de identidade dele, Chico, no qual estava declarado não doador de órgãos. Segundo a reportagem bem apresentada pelo competente repórter Gerson de Souza, Chico alegava que havia doado muito em vida e queria que seu corpo voltasse a terra em forma de gratidão. Recentemente, a TV Globo mostrou Chico sendo levado muito doente para um hospital, contrariando um documento onde expressava a vontade de ser, o mesmo, em caso de doença, tratado em sua casa. Ora, diante dessas atitudes incompatíveis com os ensinamentos de desprendimento às coisas terrenas e de doação ao próximo, legados pelos espíritos, através do Chico e por ele próprio, no decorrer de sua vida, pergunta-se: Qual foi o grau de consciência do Chico, em especial em relação ao Espiritismo, quando da elaboração dos tais documentos? Houve ou não a participação de outra ou outras pessoas? Se houve, quais? Quem foi o autor intelectual dessas idéias? Foram as mesmas debatidas ou não, previamente?Por último, se tais atitudes foram tomadas de forma lúcida pelo próprio Chico Xavier, a conclusão lógica a que se chega é a de que a pouca instrução do querido médium não permitiu-lhe compreender, adequadamente, a importância dos dois ensinamentos, notadamente o segundo, legados pelo Espírito de Verdade sob a forma de mandamentos, quais sejam: Espíritas! Amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. (Evangelho Segundo o Espiritismo - O Advento do Espírito de Verdade - cap. 6)

(José Quaglio - OAB-SP, 71.930)

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