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Escolas aprimoram ensino a deficientes

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 3 min

Cinco unidades estaduais contam com salas de aula especiais para atender portadores de deficiência visual, auditiva e mental

A estudante Daiane Alves Camargo, 7 anos, era conhecida pelos familiares como uma criança nervosa e triste. Há oito meses, seu comportamento mudou: agora, toma banho sozinha, veste-se sem a ajuda da mãe e começa a aprender a escrever. Ela encontrou o sentido da vida, afirma a doméstica Rosimaire Alves de Sousa, mãe da menina.

Portadora de deficiência visual, Daiane, como conta a mãe, não tinha vontade de viver, até o dia em que começou a freqüentar as aulas da classe especial da escola estadual Mercedes Paz Bueno, no Higienópolis.

Antes, nem vontade de comer ela tinha. Agora, mesmo se estiver doente, ela faz questão de vir à escola, garante Rosimaire. Daiane confirma: gosto muito das aulas e não vejo a hora de aprender a escrever.

Daine é uma dos 27 portadores de deficiência visual atendidos na escola Mercedes Paz Bueno, uma das cinco unidades estaduais de Bauru que conta com salas especiais para atendimento de portadores de deficiência (leia matéria nesta página).

Em sua maioria, os alunos freqüentam, paralelamente, o ensino regular e em vários níveis: infantil, fundamental, médio ou universitário. Nos períodos livres, vão à sala especial, onde aprendem a usar o reglete e a máquina de brailler.

Para garantir atendimento individualizado, a sala recebe apenas três alunos por período de aula. Auxilio-os nas tarefas da escola regular, amplio as letras ou traduzo textos para o brailler e realizo atividades de recreação, dando chances para que ocorra a inclusão deles na sociedade, explica Salete Maria de Lima, uma das professoras especializadas no ensino de deficientes visuais.

Com esse acompanhamento, a socialização é maior em sala de aula porque o deficiente visual consegue estar no mesmo contexto que os colegas e transcende o limite dele, que é a visão, afirma Maria Lígia Dacar de Carvalho, vice-diretora da escola Mercedes Paz Bueno.

Por causa desse objetivo, a maioria das obras literárias recomendada pelos professores da escola pode ser encontrada na biblioteca traduzida em brailler. Obras como O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, e Cinco Minutos, de José de Alencar, fazem parte do acervo disponível.

Além disso, um computador foi adaptado para o uso dos deficientes visuais. Agora, a luta da direção da escola é encontrar alguém ou uma empresa que adapte a impressora para o método brailler. O serviço está avaliado em R$ 6.200,00. Sem a impressora, eles não podem usar o computador e checar, de imediato, o resultado de seu trabalho, diz Alzira de Góes, diretora do colégio.

Rafael Aparecido da Silva, 11 anos, é um dos estudantes da classe especial que aguarda com ansiedade a conversão da impressora. O sonho dele é aprender a mexer no computador, conta a professora Salete.

Enquanto isso não acontece, ele planeja a sua vida profissional: quer ser motorista de ônibus. Por enquanto, já aprendeu a empinar bicicleta. É mais legal que estudar, afirma Rafael, que mesmo com a ojeriza aos livros é considerado um excelente aluno pelos professores da escola.

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