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Indústria deve ser valorizada, diz Ciesp

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Para os padrões econômicos da cidade, Bauru tem um setor industrial extremamente relevante. Porém, a sociedade e o Poder Público não têm essa percepção. A indústria é a que mais emprega, a que mais recolhe imposto, a que tem a maior quantidade de mão-de-obra qualificada, remunera melhor os seus trabalhadores, entre diversas outras características importantíssimas para a cidade. Fazendo uma análise macro, o setor industrial é muito mais relevante do que os outros, além de ter uma perspectiva crescente, incluindo as exportações, destaca o empresário. Segundo Coube, cerca de 70% dos impostos arrecadados em Bauru são provenientes do segmento industrial.

O diretor estadual do Ciesp não nega a expansão do setor terciário (serviços), mas diz que isso se deve, em grande parte, à indústria. Para ele, a sociedade bauruense possui os principais ingredientes para reconhecer uma vocação industrial da cidade. Porém, seria levada a sempre voltar os olhos para a relevância do comércio e da prestação de serviços. Todos insistem em dizer que a vocação de Bauru é comercial porque a história da ferrovia trouxe isso. Esse saudosismo não corresponde mais à realidade atual. A ferrovia trouxe o comércio, evidentemente, mas também trouxe a indústria. Só que a sociedade insiste em não perceber isso, desabafa.

Para Ricardo Coube, falta um plano de marketing para proporcionar o pleno desenvolvimento do setor industrial na cidade. Enquanto não houver uma estratégia para dar o devido reconhecimento ao setor, já que o Poder Público não possui a vocação de enteder cada potencial com a sua devida força, Bauru continuará perdendo grandes oportunidades. Se nós pudéssemos contar com isso, eu não tenho nenhuma dúvida de que o setor industrial local poderia estar mais desenvolvido. Para se ter uma idéia dessa miopia, basta perceber que, ultimamente, só se tem falado sobre os investimentos do Grupo Savoy em Bauru. É claro que isso é importante, mas enquanto só se pensa nisso, muitas outras coisas estão acontecendo. Se for analisada seriamente a expansão que as indústrias locais estão alcançando nos, últimos anos, isso é muito maior do que o benefício que o Savoy poderá trazer a médio e longo prazos, analisa.

Coube critica o fato de os responsáveis pelo desenvolvimento econômico municipal (via Secretaria) não terem intimidade com a indústria. É por isso que a indústria está se expandindo muito mais rápido nas outras cidades do que em Bauru. É o caso de Marília, que se tornou um grande pólo industrial. A última arrancada que a indústria bauruense teve foi no início dos anos 70. Os repetidos erros não podem continuar ocorrendo, diz o empresário.

Indústria x empregos

De acordo com os dados da pesquisa do Ciesp - estes, referentes ao ano 2000 - as aproximadamente 550 empresas classificadas dentro do setor industrial dariam emprego a 21 mil trabalhadores. Já o comércio, com 3.266 estabelecimentos citados, empregaria 11 mil pessoas (segundo dados do SinComércio e do Sindicato dos Trabalhadores no Comércio). O segmento da construção civil daria emprego a dez mil trabalhadores (dados do Sinduscon e do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil).

Para Ricardo Coube, um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento do setor industrial, aliado aos recursos básicos de infra-estrutura - como transporte, telecomunicações, energia e toda a logística de apoio a esse crescimento - é a qualidade da mão-de-obra. Mão-de-obra qualificada não falta em Bauru, em função das diversas escolas de formação instaladas na cidade, tanto em nível de cursos profissionalizantes, quanto universitários. Esse potencial todo não está sendo capitalizado e não existe um plano estratégico que torne o produto Bauru atraente para o mundo inteiro. Falta um plano de marketing para a cidade, analise Coube.

Para ele, o único segmento que viria realmente despontando no comércio, em termos de desenvolvimento para a cidade, é o supermercadista, que por sua vez, tem um íntimo relacionamento com a indústria através dos fornecedores de produtos.

Entre as principais atividades econômicas da indústria, que o levantamento do Ciesp mostra com uma divisão por setores de produção, com base nos critérios de quantidade de estabelecimentos, o segmento mecânico aparece em primeiro lugar, com 40% do total. Em seguida, vêm os segmentos metalúrgico e de material eletro-eletrônico, ambos com 13%. Os setores gráfico, têxtil e de plásticos registram participação de 9%, 8% e 4%, respectivamente. Para Coube, no momento não existe nenhum indicativo de que esse cenário apresente novas vocações e de que, nos próximos meses ou anos, a principal atividade econômica do setor industrial de Bauru possa mudar.

Exportações

Em relação ao vigoroso crescimento das exportações verificado nos últimos anos, conforme indica o levantamento do Ciesp, Ricardo Coube diz que esse é outro indicativo da força que tem o setor industrial de Bauru. Ninguém consegue aumentar o nível de exportação em 153% de um ano para o outro se não tiver uma base tecnológica que se modernize, se atualize e sem serem feitos investimentos em qualificação de pessoal. Esses números são a prova do desenvolvimento tecnológico da indústria bauruense, ressalta.

Entre os principais produtos exportados pelas indústrias locais estão cadernos, máquinas, baterias automotivas, carne bovina processada, suco em pó, confeitos, massa alimentícia, cintos, bolsas e utilidades plásticas. O principal mercado ao qual se destinam as exportações é a América do Sul, com 80% do volume total. Os outros são América do Norte, com 10%; Europa, com 5% e resto do mundo, com mais 5%.

De acordo com o levantamento do Ciesp, os principais pontos que apóiam o desenvolvimento industrial em Bauru seriam a Estação Aduaneira do Interior (Eadi), facilitando e agilizando a distribuição de cargas para Bauru e região; a Junta Comercial do Estado de São Paulo, por proporcionar rapidez na abertura de empresas e em alterações de contratos; a Incubadora de Empresas, que incentiva os pequenos empreendedores; a emissão de certificados de origem para exportação, que facilitaria a liberação de exigências aduaneiras, e o aeroporto internacional, que permitirá o escoamento de cargas.

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