A prevalência da política da acomodação e do mais fácil preocupa um grupo bauruense que estuda alternativas imediatas para o entulho da cidade, que cresce cerca de 73 mil toneladas a cada ano. A proposta que vem sendo cogitada a princípio é o despejo desses resíduos em erosões, garantindo-se o mínimo de impactos para o meio ambiente.
O arquiteto e professor Paulo Canguçú Burgo, que compõe o grupo de estudo ao lado do secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Pires, do engenheiro Adilson Renófio e do professor Nariaqui Cavaguchi, vê com muito zelo o depósito de entulhos nas erosões, pois teme estar patrocinando a degradação do solo urbano. Quero deixar bem claro que essa é uma proposta viável, fácil, mas que deve ser executada com muita responsabilidade. Trata-se de uma solução paliativa que pode gerar graves danos futuros se não for muito bem controlada. Meu medo é que esse método seja banalizado e eternizado pelos administradores públicos. Isso seria um desastre, alertou.
No momento, Burgo e seus colegas discutem um modelo de gestão para o entulho, pois Bauru não dispõe de normas legais e nem técnicas para administrar o problema. Apesar de a população e o próprio poder público utilizarem os bolsões existentes na cidade, todos esses pontos são clandestinos. Não há fiscalização do que ou quanto é depositado, o que permite ações negligentes e impróprias, como a mistura de entulhos com lixo orgânico. Essa, por sinal, é uma atitude que traz prejuízos rápidos e diretos à população, na medida em que cria condições para a proliferação de ratos e insetos vetores de doenças.
Antes de autorizar o despejo de entulho nas erosões, o grupo estuda as características dessas potenciais áreas de depósito, avaliando os riscos ambientais. Não podemos, por exemplo, jogar entulho numa erosão onde possa haver comprometimento do lençol freático ou que esteja próximo de uma área residencial. Tudo tem que ser feito com muito rigor, sublinhou.
As áreas que forem receber os resíduos também serão totalmente mapeadas pelo grupo, numa forma de evitar sua ocupação futura. Segundo Burgo, o cuidado visa prevenir desastres, uma vez que não se pode construir aleatoriamente sobre um local aterrado com entulhos. Esses terrenos não têm boa sedimentação e qualquer coisa que se construa sobre eles pode desabar, explicou.
O zelo pode parecer excessivo agora, mas quem pode garantir que áreas aterradas com entulho não sejam, futuramente, loteadas e habitadas? A preocupação é maior porque as erosões com potencial para receber os resíduos estão justamente localizadas nos vazios urbanos de Bauru, onde o crescimento é natural e, digamos, inevitável a longo prazo.
Outras alternativas estão sendo estudadas, a exemplo da construção de uma usina de reciclagem (moagem) na cidade, mas trata-se de um modelo ainda oneroso e, por isso, inviável nos dias atuais. O custo de produção da moagem de entulho está em torno de US$ 2 o metro cúbico. Barato se comparado ao preço da terra, hoje com o metro cúbico cotado em R$ 25,00.