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Justiça do Trabalho retoma atividades

Redação
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A paralisação de um dia marcou a adesão dos trabalhadores à greve nacional dos servidores públicos, que está em curso.

Após realizarem um ato de protesto, ontem, das 9 às 10 horas da manhã, os funcionários da Justiça do Trabalho de Bauru retomam suas atividades hoje. Um novo dia de paralisação está previsto para 29 deste mês. A suspensão das atividades, durante toda a quarta-feira, marcou a adesão dos trabalhadores da Justiça do Trabalho à greve nacional dos servidores públicos federais. A Justiça Federal de Bauru, assim como o IBGE, não deverão entrar em greve. O Ibama e a Receita Federal ainda não se posicionaram a respeito.

De acordo com Antonio Conejo, diretor do Sindicato da 15.ª Região, situado em Campinas, ao qual são filiados os funcionários da Justiça do Trabalho de Bauru, os trabalhadores decidiram retornar às atividades durante uma assembléia, realizada no final da tarde de ontem. Segundo Conejo, a paralisação de um dia foi uma estratégia para demonstrar a insatisfação da categoria ao ínfimo reajuste de 3,5%. Conseguimos o nosso objetivo hoje (ontem), chamando a atenção para o movimento e apresentando nossas reivindicações ao presidente do TRT. Decidimos fazer uma paralisação somente de um dia por ser estratégica, já que não queremos que nem a população, nem os servidores, sejam prejudicados. No dia 29, iremos parar novamente e fazer uma nova assembléia para definir os rumos da mobilização a partir daquela data, afirma Conejo.

Ele informou que, ontem, em Campinas, cerca de 250 servidores participaram de uma passeata, que saiu do prédio da Justiça do Trabalho daquela cidade rumo à sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Lá, foi realizado um ato público que teve a participação de aproximadamente 400 pessoas, segundo o diretor do sindicato. Para o próximo dia 29, está programada uma nova paralisação, da qual devem participar as 92 cidades da área de abrangência do sindicato, incluindo Bauru.

Paralisação de um dia

De acordo com Lenita Maria Rafael Bonasorte, funcionária da Justiça do Trabalho em Bauru, os servidores se posicionaram, ontem, pela não-aceitação ao reajuste de 3,5%, anunciado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, na última terça-feira. Nós estamos nos movimentando aqui em Bauru, aproveitando a paralisação nacional, para fazer força contra as decisões governamentais. O governo está simplesmente descumprindo as decisões judiciais. Nós ganhamos no STF a manutenção do nosso direito de data-base. O governo está ignorando e, agora, ofereceu esse índice de 3,5%, sendo que, de lá para cá, segundo as estatísticas do sindicato, tem aproximadamente 75% acumulado de inflação. É claro que 75% é um índice muito abusivo, e até nós também entendemos isso, mas não 3,5%, disse ontem, durante a manifestação.

Além da reposição salarial, os funcionários da Justiça do Trabalho também reivindicam melhores condições de trabalho. De acordo com Fernando César Goulart, as instalações do prédio em que trabalham estão em péssimas condições. Entre os problemas estão as fiações elétricas, os elevadores e as bombas dágua. Além de tudo isso, tem falta de condições de trabalho, descumprimento de outras decisões a que nós temos direito, vale-alimentação etc. Está havendo muito descaso com o funcionalismo. Por isso, nós resolvemos nos mobilizar, apoiando o nosso sindicato, que organizou o movimento, colocou Lenita.

Em Bauru, a Justiça do Trabalho teve adesão de 100% dos funcionários na paralisação de ontem, de acordo com Lenita. Aqui, todas as varas estão paradas. Nas secretarias, estão apenas os diretores e funcionários da Prefeitura, que não são do nosso quadro. Do quadro de funcionários, todos estão parados. O pessoal aderiu 100%, garante. O movimento estaria ganhando força e proporções maiores também em outras cidades do Estado de São Paulo. No Interior do Estado, estamos sabendo que, pelo menos, 78% estão paralisados hoje. Algumas Varas isoladas estão se movimentando para ver o que vão fazer a partir de hoje - se paralisam, não paralisam ou se fazem só um manifesto, disse.

Em Bauru, os funcionários do Ibama devem posicionar-se, nos próximos dias, sobre a adesão à greve dos servidores públicos federais. Ontem, o Ibama de São Paulo teve seu primeiro dia de paralisação, com adesão de quase 100% dos funcionários. Estaremos nos definindo nos próximos dias. Nos outros anos, sempre seguimos o posicionamento de São Paulo, disse Lélia Lourenço Pinto, representante do Ibama em Bauru. A Receita Federal em Bauru ainda não se posicionou sobre a adesão ou não à greve dos servidores públicos federais. Já os funcionários da Justiça Federal e do IBGE, optaram pela não-adesão.

Vale lembrar que a agência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Bauru está com as atividades suspensas desde o último dia 13. Cerca de 90% dos funcionários aderiram ao movimento, iniciado no dia 8 de agosto, em São Paulo.

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