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Lotéricos devem parar por segurança

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

As empresas passaram a executar serviços bancários e, agora, temem pela possibilidade de aumento dos assaltos

Os donos de casas lotéricas de todo o Estado de São Paulo, incluindo Bauru, estão ameaçando paralisar as atividades a partir do próximo dia 3, caso a Caixa Econômica Federal (CEF) não atenda às reivindicações que estão sendo feitas pela categoria. Entre as principais estão sistema de segurança pago pela Caixa; 12% de comissão na loteria de prognóstico, sendo que atualmente esse percentual gira em torno de 8%; e R$ 0,39 de comissão por cada autenticação nas contas, que no momento é de R$ 0,22. As informações foram passadas por Flávio Carareto, que é dono de uma casa lotérica da CEF e tem participado das negociações com o banco.

Paralelamente ao movimento de paralisação dos empresários, o Sindicato dos Empregados de Agentes Autônomos do Comércio de Bauru e Região (Seaac) também estuda coordenar uma paralisação, ou aproveitar a greve dos empresários do setor, para reivindicar à CEF benefícios relacionados diretamente aos funcionários das lotéricas. Entre as reivindicações estão a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias; seguro de vida e aumento de salário. Atualmente, o piso salarial da categoria é de R$ 280,00, segundo informa o presidente do Seaac, Lázaro José Eugênio Pinto.

Em meio a tudo isso, a CEF anunciou, no final da semana passada, investimentos da ordem de R$ 81 milhões em mecanismos para aumentar a segurança nas lotéricas. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, a Caixa aumentou sua contribuição na Conta de Promoção das Loterias de 0,75% para 1,75% da arrecadação total. A soma adicional de R$ 30,5 milhões seria aplicada integralmente em medidas de segurança das unidades lotéricas. Estamos reduzindo a remuneração da Caixa na administração dos jogos para investir no bem-estar dos lojistas e de seus clientes, diz o superintendente nacional de Loterias da Caixa, Marco Antônio Lopes.

De acordo com Carareto, isso não resolveria o problema. Ele conta que, durante uma assembléia realizada no último domingo, em São Paulo, para avaliar uma contraproposta apresentada pela Caixa, a categoria decidiu negá-la, já que os itens elencados estariam muito distantes das reivindicações dos empresários. A Caixa ofereceu ajudar os empresários com apenas uma parte da segurança nas lotéricas e comissão de R$ 0,27 nas contas. Nós queremos que esse valor seja de R$ 0,39 e que a segurança seja totalmente de responsabilidade da Caixa, porque não temos condições de bancar isso e a situação está ficando cada vez mais perigosa, já que o volume de trabalho dentro das lotéricas é cada vez maior. A Caixa está esvaziando as agências de serviços porque manda para nós. Em relação aos benefícios que o banco vem obtendo, o que está nos oferecendo são migalhas. Se a CEF não atender as nossas reivindicações, até o final dessa semana, entraremos em greve no próximo dia 3, diz Carareto. Segundo ele, atualmente existem 22 casas lotéricas em Bauru.

De acordo com a assessoria de imprensa da CEF, o aumento de R$ 0,22 para R$ 0,27 na comissão, conforme proposto, geraria um incremento de R$ 36 milhões na remuneração dos lojistas. A contribuição dos empresários lotéricos para a Conta de Promoção das Loterias também vai subir de 0,25% do faturamento para 0,50%. O saldo (R$ 7,7 milhões) terá que ser aplicado exclusivamente em segurança, segundo informa a CEF. Além disso, outros R$ 7,5 milhões serão aportados pela instituição para apoiar o pagamento do seguro das casas lotéricas.

Comitês de segurança

A assessoria da Caixa ainda informa que serão criados, em cada Estado, sub-comitês de prevenção e segurança, que receberão verba proporcional à arrecadação da loteria no Estado e terão a participação de representantes dos lotéricos. Esses comitês irão elaborar propostas que serão submetidas ao Comitê Nacional. Vamos tratar cada Estado de forma particular, pois a questão da segurança é muito diferente entre as unidades da Federação, diz Lopes. Segundo a CEF, os comitês começam a trabalhar em setembro e a expectativa é de que, até o final do ano, 4,3 mil lojas já estejam com a segurança reforçada, em especial nos grandes centros urbanos.

As 8,5 mil lojas de loteria reunidas sob a marca Caixa Aqui realizaram, entre janeiro e julho deste ano, 387,8 milhões de operações, como o recebimento de contas e impostos, saques de poupança e conta corrente e o pagamento de benefícios como as aposentadorias do INSS e Bolsa-Escola. O volume é 29,3% maior do que o verificado no mesmo período do ano passado.

Trabalhadores

O presidente do Seaac, Lázaro José Eugênio Pinto, diz que as negociações com a CEF, em benefício dos funcionários das lotéricas, estão sendo feitas desde fevereiro deste ano, já que a data-base da categoria é maio. A principal preocupação do sindicato, atualmente, é em relação à segurança dos trabalhadores e à extensa carga horária. A segurança nas casas lotéricas é muito falha e, para nós, não adianta os empresários dizerem que a Caixa paga pouco a eles, justificando a impossibilidade de investir mais nisso. Nós já deixamos claro, em outras discussões, que, se acontecer algum acidente com os fucnionários dentro da casa lotérica, a responsabilidade é do empresário e não da Caixa. As discussões sobre segurança nas lotéricas já duram mais de dois anos, afirma Pinto.

De acordo com ele, a categoria também reivindica a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias; seguro de vida para os trabalhadores; aumento de salário e reposição da inflação. Segundo o presidente do Seaac, o número de assaltos a casas lotéricas vem aumentando muito. Na Capital paulista, já teriam sido registrados vários casos com vítima fatal. A data-base da categoria é maio e, até agora, não conseguimos chegar a um acordo com a Caixa. Ou vamos a dissídio, ou paralisamos as atividades, diz Pinto.

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