Proposta sobre interiorização será votada na sexta-feira, em reunião extraordinária do Conselho Universitário da Unesp
Os diretores das três faculdades do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) são favoráveis à realização de um plebiscito para decidir se a Reitoria da instituição, hoje sediada em São Paulo, deve ser transferida para o Interior do Estado. A proposta de plebiscito será votada na sexta-feira, em reunião extraordinária do Conselho Universitário (CO), e foi incluída na pauta de reunião pelo reitor José Carlos de Souza Trindade.
Na pauta de reunião, enviada aos 173 membros do CO, Trindade justifica o debate sobre o assunto dizendo que o plebiscito foi proposto pelas direções dos câmpus de Assis e Ilha Solteira, para democratizar ao máximo a decisão.
(...) a mudança da Reitoria da Unesp para o Interior do Estado de São Paulo é matéria de interesse global da comunidade unespiana e por sua abrangência e importância deve-se ampliar a discussão para toda a comunidade, afirma o reitor na pauta do encontro.
O CO é o órgão máximo da Unesp. Cabe aos seus 73 membros, que representam todos os 16 câmpus da instituição e os três segmentos da comunidade unespiana (professores, funcionários e alunos), deliberarem sobre assuntos de interesse da universidade. As decisões do conselho deverão ser executadas pelo reitor.
No caso da interiorização, o CO avaliará a realização do plebiscito segundo cinco critérios (veja box nesta página), propostos pelos câmpus de Assis e Ilha Solteira. Entre os itens estão incluídos a garantia de participação paritária no processo e a realização da votação em etapa única, com pergunta sobre onde a nova sede deve ser instalada.
Legítimo
Para o professor Edwin Avólio, presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC) de Bauru e diretor da Faculdade de Engenharia (FE), o plebiscito é legítimo porque garante que toda a comunidade decida sobre o futuro da Unesp, a partir de julgamento próprio.
Com o plebiscito, acredito que a comunidade unespiana receberá mais informações relativas à interiorização, que é um procedimento administrativo para a redução de custos, e poderá julgar o processo com base em dados precisos, afirma Avólio.
Para o professor José Carlos Plácido da Silva, diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), a maior circulação de informações sobre a interiorização é o ponto mais positivo da proposta de plebiscito.
O plebiscito devolve à comunidade a decisão sobre os rumos da Unesp. Esta é a melhor forma de discutir a interiorização. Para isso, no entanto, é preciso haver divulgação ampla e maciça de informações, salienta Plácido, que é favorável à mudança da Reitoria para o Interior do Estado.
Para a transmissão de maior volume de informações sobre o assunto, sustenta o diretor do Faac, é necessário que o plebiscito seja realizado em dois turnos, não em uma única etapa como foi proposto pelo reitor. Em duas fases, o assunto poderá ser mais discutido, garantindo uma escolha real da comunidade, argumenta.
O professor José Misael Ferreira do Vale, diretor da Faculdade de Ciências (FC), concorda com Plácido. O plebiscito é uma proposta adequada, mas não deve ser realizado no atropelo. Se houver quórum para a reunião, penso que o conselho deve avaliar a possibilidade de realizar a votação em duas etapas, diz.
Vale baseia sua proposta na avaliação de que, caso haja etapa única, a indicação vitoriosa da nova cidade-sede não representará a maioria. Para evitar a dispersão de votos e garantir a legitimidade da escolha, penso que a decisão deve se dar em duas etapas, que não devem necessariamente ser realizadas neste ano. Há tempo e a decisão deve ser criteriosa, pois envolve o futuro da Unesp, finaliza.