Geral

À procura de um estadista

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Duramente chicoteada no pelourinho dos experimentos de governos destituídos de inspiração e coragem, por isso que tateantes nos escuros caminhos da conjuntura, a sociedade brasileira está gritando pelas reformas e estruturas que entende necessárias para que não continue o Palácio do Planalto a fazer de si um cadinho de laboratório ou uma cobaia de suas elucubrações administrativas, pois, o que se vê é o País como ilha no meio do oceano revolto acenando para a salvação de quase 200 milhões de brasileiros atônitos, exangues, amedrontados pelos dramas do naufrágio iminente, aos quais ele mesmo, o chefe da Nação, ainda não teve tempo ou não teve determinação para minimizar as aflições.

Agora, vai o País partir para novas eleições. Dentro de alguns meses seu cenário estará marcado pelos candidatos à sucessão presidencial, alguns dos quais já começam a arregaçar as mangas, como Itamar Franco, Ciro Gomes, Brizola e Lula. Mas já indicam os fados que não se terá o repeteco da empolgação de outros pleitos, porque já não observa a sociedade ou o eleitorado diante de sua viseira alguém que possa ser adotado como depositário consciente e fiel de suas aspirações. Mesmo com o binóculo esticado para os confins do horizonte pátrio, não vislumbram os brasileiros e brasileiras alguém com estatura de estadista para soerguer o nosso prestígio internacional junto aos credores externos - ponto de largada da solução dos nossos complexos desajustes externos - e estrutura prática e técnica para recolocar nos trilhos o descarrilhado trem da administração pública nacional.

Quem, em verdade, teria estofo ou categoria para gerir o País, filho acidental de genitores de tendências heterogêneas, é o questionamento que o Brasil faz nesta encruzilhada de sua vida anômala, temendo pela tibiez, que poderá comprometer, e pela incapacidade, que poderá ser fatal para os seus ardorosos sonhos, já não se diga de independência mas de crescimento social e econômico? Já por isso, aí está a sociedade lançando mão, como que repetindo Diógenes na penumbra do mundo, à procura do homem certo para o lugar certo na perigosa curva que nitidamente se desenha no cenário. Enfim, praza a Deus possam os partidos políticos retirar de alguma cartola mágica não um ilusionista falaz, poeta cheio de imaginação ou sonhador de miragens, na mitológica forma de pombas esvoaçantes, mas uma figura de coração e cérebro, com sensibilidade para ver e discernir, coragem para agir e capacidade para realizar. Será que o temos por aí? É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado

Comentários

Comentários