Falar sobre o sr. Gabriel Ruiz Pelegrina, como uma homenagem aos seus 80 anos, que completou no mês de agosto, é, sem dúvida, bastante difícil e complexo, dado a enorme folha de serviços que, desde sua juventude, vem prestando à cidade. Nascido em Bauru, no ano de 1921, quando a cidade mostrava elevado progresso de seu parque ferroviário, com a inauguração das oficinas da NOB, para aproveitamento de nada menos de 1700 empregados, em consequência do dinamismo e competência do engº Arlindo Gomes Ribeiro da Luz, emprestando, assim, à gestão do prefeito Heitor Ferreira Maia, uma consagração estadual no avantajado e invejável progresso, Gabriel Ruiz Pelegrina parecia predestinado a se tornar um apaixonado pelos fatos históricos da cidade, além de apreciar as artes e os esportes. Nas duas décadas seguintes, quase metade da população ativamente econômica da cidade pertencia à classe de ferroviário, já que eram três as paralelas de aço em Bauru: Sorocaba, Noroeste e Paulista, e, portanto, também se tornou um ferroviário. Apenas um fato triste e inaceitável chegou a manchar o nome da cidade, naquele ano, quando o jovem advogado Carlos Quartim de Moraes foi, friamente, assassinado no interior do 2º Cartório, no Largo da Matriz, por dois outros colegas de classe, os advogados Antonio de Almeida e Francisco de Faria Bastos.
Crescendo em meio a pioneiros e sentindo-se um apaixonado pela história de Bauru, dedicou-se, além da ferrovia e da família, às pesquisas e aos trabalhos para criação de museus e acervos históricos, participando da formação do Museu Morgado de Matheus, Museu Ferroviário e do Núcleo de Pesquisas da USC, que leva seu nome, além de participar como Conselheiro do Museu Ferroviário e do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural da cidade. Sempre correto, amigo e incansável, teve sempre suas atenções voltadas para a história de Bauru, proferindo palestras em estabelecimentos de ensino, repartições públicas e privadas, além de mais de cinco centenas de artigos, já publicados, bem como dos livros Memorial da Câmara Municipal de Bauru e Memórias de um ferroviário, do qual tenho a honra de participar com a capa. Ferroviário e amigo por mais de 40 anos, quero parabenizá-lo pelos seus 80 anos de vida, desejando-lhe muita saúde e agradecendo tudo o que tem feito por mim, incentivando-me para trilhar os caminhos da história, tanto de Bauru, como da ferrovia, que, por mais de três décadas, ininterruptas, estivemos prestando serviços. (Vivaldo Pitta - RG. 6.028.556)