A II Semana de Qualidade de Vida do Centrinho promoveu debates sobre a violência e o desemprego, problemas sociais vividos por Bauru e pelo mundo. A atuação da sociedade, em nível microcósmico, através da educação, foi apontada como o grande caminho para soluções.
Realizada na USC, a II Semana de Qualidade de Vida do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, da Universidade de São Paulo, o Centrinho, possibilitou discussões sobre política, educação e cidadania. A platéia, composta por empresários, representantes de entidades e cidadãos de Bauru, participou, com questionamentos e exposição de suas experiências. Mais de 250 pessoas assistiram às palestras e debates da Semana. O tema Violência: Reflexo da sociedade foi desenvolvido sob vários aspectos: psicológico, social, criminal e de conscientização.
Líliam DAquino Tavano, psicóloga do Centrinho, falou que a primeira violência a que o ser humano está sujeito está na própria família e vai desde a tentativa de um aborto até agressões físicas, estupros e o não-respeito às necessidades e individualidade dos filhos. É preciso uma infra-estrutura para que essas famílias agressivas possam ser tratadas, instrumentalizadas, com formação e educação. Terapias sistêmicas também são necessárias para ajudá-las a superar seus problemas e encontrar o caminho da família saudável. O maior índice de violência começa na família, apresentou Líliam.
O juíz da Infância e da Juventude, Ubirajara Maitinguer, falou da realidade vivida em Bauru e das dificuldades econômicas das famílias. Maitinguer defende o direito da criança e do adolescente à escolaridade. É importante a educação científica e moral para eles, frisou o juíz. A ouvidora do Centrinho, Maria Irene Bachega, abordou a importância de um ouvidor no serviço público. Na área de saúde, Irene frisou o direito do paciente ao seu prontuário e a uma letra legível para sua compreensão.
O debate Bauru vencendo o desemprego: Perspectivas de futuro foi realizado com a participação do secretário do desenvolvimento do município, Roberto Rufino, que apresentou as medidas adotadas para atrair novas fontes de emprego e de trabalho para a cidade. O Projeto do Trem Turístico, interligando Ibitinga a Barra Bonita, foi citado pelo secretário. O Grupo Savoy iniciará a construção de um shopping em outubro deste ano, gerando 2.000 empregos diretos e indiretos para Bauru, explicou o secretário. Na platéia, os empresários Ricardo Villas Bôas e Flávio Bianchini questionaram os debatedores quanto à geração de empregos pelas Organizações Não Governamentais (ONGs ), e o cooperativismo. O sistema capitalista gera o desemprego. Desemprego é um problema muito mais estrutural, gerado na própria essência do capitalismo, opinou Villas Bôas. Para Bianchini, as indústrias deveriam ter uma bolsa de empregos. À medida que eu precisar da dispensa de um funcionário para reestruturação da minha empresa, posso indicá-lo para uma outra empresa., sugeriu.