Moradores de Agudos reclamam da lentidão da Sabesp em solucionar os constantes vazamentos de água nas ruas.
Agudos - Pequenos vazamentos de água em diferentes pontos da cidade têm provocado seguidos protestos de moradores de Agudos. Eles acusam a Sabesp, empresa responsável pelo tratamento e distribuição de água na cidade desde 1997, de não estar obedecendo uma de suas principais recomendações: evitar o desperdício de água.
Em alguns casos, moradores alegam que a empresa demora meses para consertar um vazamento. Esse procedimento tem sido encarado como uma demonstração de falta de preocupação da empresa para evitar o desperdício.
Uma das ações mais recentes da Sabesp foi tomada exatamente no sentido de desfazer essa imagem. A empresa designou uma equipe para visitar com mais freqüência os bairros da cidade e com isso tomar conhecimento dos defeitos na rede de água.
Um dos vazamentos que mais tem provocado a indignação de moradores é o que está localizado na rua Faustino Ribeiro. A rua dá acesso à vila Santa Cândida. Curiosamente, o vazamento fica em frente a um imóvel da Sabesp, onde funcionam dois poços artesianos. O local onde existe o problema não é asfaltado.
De acordo com o cabeleireiro Enoque Antônio Morais, 50 anos, faz mais de três meses que o vazamento teve início e nada teria sido feito até agora para evitar a continuidade do desperdício.
Morais afirma que já procurou a Sabesp diversas vezes para falar do problema, mas até ontem nenhuma providência havia sido tomada pela empresa. Morais garante que chegou a tratar do assunto diretamente com o gerente da Sabesp, em Agudos, Jesus Oliveira Filho. Segundo ele, sem muito sucesso.
Outros moradores, como o motorista Antônio César Machado, 35 anos, e sua esposa, confirmaram que o vazamento vem de longa data. Residentes na vila Santa Cândida, o casal passa pela rua Faustino Ribeiro todos os dias, a caminho do trabalho. Eles relatam que de manhã o volume de água no local do vazamento é ainda maior.
De acordo com funcionários da Sabesp, ouvidos pela reportagem do Jornal da Cidade, o vazamento começou depois da execução de um serviço de nivelamento na rua. Por ser de terra, a rua necessita de reparos sempre após uma chuva forte.
Segundo os funcionários, a máquina niveladora teria danificado o registro - instalado muito próximo à superfície - e acabou provocando o vazamento.
Durante um rápido passeio por algumas ruas centrais da cidade, a reportagem encontrou outros dois vazamentos. Um deles, na rua XV de Novembro, estava sendo consertado por funcionários da Sabesp. Outro, na rua 13 de Maio, continuava em plena funcionamento (vazando) até a última quinta-feira.
O comerciante Adalberto Crescione, 42 anos, afirmou que, durante três meses, ligou insistentemente para a Sabesp informando sobre um vazamento no centro da cidade. A palavra que mais ouviu da empresa, segundo ele, foi que a informação havia sido anotada.
Sabesp diz que problema é recente
Agudos - O vazamento de água na rua Faustino Ribeiro, ao contrário do que alegam os moradores ouvidos pela reportagem, teria começado no último fim de semana, segundo a Sabesp. Funcionários da empresa informaram que a equipe operacional já havia constatado o problema e que o mesmo iria ser consertado de imediato. No entanto, a reportagem constatou que até na última quinta-feira o problema ainda persistia.
A empresa confirmou que se trata de um registro de descarga danificado. Embora, uma das finalidades do registro seja a de dar vazão a um eventual excesso de água na rede, o vazamento não é normal, segundo a empresa.
A Sabesp, em Agudos, conta com a mão-de-obra de nove funcionários. Compõem a equipe operacional três encanadores, quatro ajudantes, um operador de máquinas e um eletricista.
Antecedentes
Não é nova a reclamação dos moradores de Agudos de que a Sabesp não estaria atendendo com rapidez aos pedidos de conserto de vazamentos na rede de distribuição de água, espalhada pela cidade.
Em novembro do ano passado, moradores também procuraram o JC para denunciar a demora da empresa em solucionar dois vazamentos na vila Santa Cândida. Na época, cidades vizinhas viviam a rotina incômoda do racionamento de água.
A exemplo do que aconteceu nesta semana, a empresa negou que o problema fosse antigo. Carlos Alberto de Oliveira, que ocupava a gerência da Sabesp à época, informou que a maioria dos vazamentos eram consertados dentro de um prazo máximo de 24 horas.
O gerente atual, Jesus Oliveira Filho, segundo informações da empresa em Agudos, estava em férias até o último dia 5. Assim que voltou, ele solicitou licença-médica e só deve voltar ao trabalho a partir de segunda-feira.
Segundo o coordenador de comunicação da Sabesp, Luís Alberto Novely, vazamentos são normais dentro de um sistema operacional, em qualquer lugar do mundo. Agudos, segundo ele, tem uma rede de água antiga que a empresa vem substituindo na medida do possível.
Serviço
Para acionar a Sabesp fora do horário normal de expediente - das 18 às 8 horas durante a semana, e nos fins de semana e feriado - os moradores de Agudos podem ligar gratuitamente para o número 0800-160195. O escritório da empresa na cidade atende pelo telefone 262-3700.