Os empregados foram demitidos por justa causa, depois da instalação de filmadoras nos ônibus em que trabalhavam.
De acordo com informações do presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, a diretoria da Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB) se comprometeu a rever as demissões por justa causa de 15 funcionários, ocorridas após a instalação de câmeras filmadoras em dois ônibus da empresa. As filmagens teriam flagrado cenas de condutas irregulares por parte de alguns trabalhadores da ECCB e o sindicato considerou as demissões arbitrárias pelo fato da utilização dos equipamentos não ter sido divulgada, conforme o JC noticiou. O caso foi discutido no MT.
Além do Sindtran e da ECCB, também participaram da mesa-redonda representantes das outras duas operadoras do sistema de transporte coletivo da cidade, Tua e Kuba, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) e o Conselho de Usuários. A Tua e a Kuba ainda não utilizam câmeras no interior dos veículos, mas, segundo Silva, ontem também ficou definido que a divulgação sobre a utilização desses equipamentos deve ser feita a trabalhadores e usuários antes do início das filmagens, por todas as empresas. Em relação à revisão das demissões na ECCB, a posição da empresa será conhecida na próxima quinta-feira, quando haverá uma nova mesa-redonda na subdelegacia regional do MT. Silva diz que o sindicato espera que os 15 trabalhadores sejam recolocados.
Se os trabalhadores demitidos não forem reintegrados pela ECCB, solicitaremos que a demissão seja efetivada sem justa causa. Se a empresa se negar a isso, encaminharemos o processo ao Ministério Público do Trabalho e serão tomadas todas as medidas cabíveis a favor de cada trabalhador, afirma Silva.
De acordo com ele, na reunião de ontem também foi solicitado à Emdurb que seja elaborada uma campanha de orientação aos usuários do sistema de transporte coletivo sobre como proceder, no interior dos veículos, as pessoas que possuem passe livre e as que pagam a tarifa. A Emdurb solicita a apresentação explícita do documento que permite o passe livre e isso nem sempre ocorre. Muitos usuários só mostram um documento de dentro do bolso da camisa, sem apresentá-lo ao motorista e isso acaba gerando reclamações por parte dos passageiros. Também é preciso deixar claro quem tem o direito a descer do ônibus pela porta da frente, como mulheres grávidas. Por outro lado, quanto menos pessoas pagam a passagem, há uma probabilidade maior da tarifa aumentar, porque toda a coletividade paga para aquele que tem o direito de viajar gratuitamente. Então, tudo isso precisa ser bem esclarecido e fiscalizado, diz Silva.
Na opinião dele, se problemas como esses continuarem ocorrendo, pode aumentar a possibilidade das catracas eletrônicas serem instaladas. O sindicato é contra, porque gerariam desemprego. Diante disso, para a próxima quarta-feira já estão marcadas três reuniões, em horários diferentes, no sindicato, com todos os trabalhadores da categoria. O objetivo é discutir estratégias de se manifestarem contra a instalação das catracas eletrônicas. Paralelamente, a entidade estuda mobilizações para incentivar, junto à população, a criação do terminal rodoviário urbano. Para amanhã, está prevista uma coleta de assinaturas no Calçadão, a favor da construção do terminal em Bauru.