A Polícia Civil está investigando a legitimidade das identidades dos dez homens presos, acusados de roubar quase R$ 3 mi.
Os dez homens presos anteontem próximo a Avaré, acusados de integrar a quadrilha que roubou R$ 2,96 milhões de um avião em Bauru no mesmo dia, podem estar usando documentos falsos. Desconfiando dessa possibilidade, a polícia determinou a retirada das impressões digitais de todos eles, para legitimação ou não das identidades apresentadas.
Apesar de agirem com ousadia - o grupo, com armas pesadas e usando coletes à prova de bala e roupas com a inscrição Polícia Federal, interceptou o avião com o dinheiro no aeroporto de Bauru, roubou seis malotes e fugiu em três veículos - a maioria dos dez homens presos não tinha passagem pela polícia, segundo o delegado Sérgio Lemos, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré. A comparação das impressões digitais colhidas com as dos documentos apresentados será feita pelo Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt, em São Paulo.
Até ontem à noite, os dez presos estavam recolhidos na penitenciária de Avaré, mas logo devem ser transferidos para Bauru. O delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG/Garra) de Bauru disse que está aguardando autorização judicial para transferência dos acusados, que devem ser encaminhados para as penitenciárias de Bauru ou da região.
Apenas dois dos dez homens presos depuseram na DIG de Avaré. Os demais reservaram-se no direito de manifestar-se apenas em juízo. Um deles, José Vítor Rodrigues Tosto, que dirigia o caminhão que transportava os demais homens presos, disse à polícia que havia sido vítima de roubo, por isso estava transportando o grupo com armas.
Tosto contou que estava retornando de Araçatuba, onde havia deixado uma carga de açúcar quando foi vítima de assalto. No entanto, como explicou o delegado Sérgio Lemos, ele não conseguiu precisar em qual empresa havia entregado a carga, não tinha nota fiscal do produto e não tinha tíquetes de pedágio da rodovia do trajeto até Araçatuba.
Por isso, Tosto, como os outros nove homens, também foi autuado por roubo qualificado, formação de quadrilha e porte ilegal de armas. O delegado da DIG de Avaré esclareceu que a bordo do avião estavam R$ 5 milhões e não R$ 10 milhões como o JC publicou na edição de ontem. A quadrilha roubou R$ 2,96 milhões, sendo que R$ 2,95 milhões foram recuperados e entregues no mesmo dia à vítima, a empresa de transportes de valores Protege.
A Polícia Civil acredita que o décimo primeiro homem que estava no caminhão e fugiu na hora da abordagem levou R$ 10 mil. Até ontem à tarde, a identidade do fugitivo ainda era desconhecida. Ele fugiu quando o caminhão que estava bateu no barranco, durante a abordagem policial, e embrenhou-se no mato. A polícia vasculhou a área, mas até ontem à tarde não havia encontrado suspeitos.
Nos próximos dias, J.J. Cardia vai ouvir os responsáveis pela Protege para tentar esclarecer totalmente o roubo. A hipótese de que algum funcionário da empresa esteja envolvido será investigada.