O último depoimento na CEI do DAE talvez também tenha sido o mais esperado de ontem. Isso porque foi o servidor Wilson Dionísio quem assinou o relatório técnico, em 1999, que solicitou a perfuração de um novo poço no Parque Roosevelt em situação de emergência. Na CEI, além de manter a posição, Dionísio teve o apoio da maioria dos integrantes do corpo técnico do DAE. Embora não seja engenheiro, Dionísio foi mencionado como um servidor que tem conhecimento para avaliar o risco de desabastecimento. Ele também confirmou que a decisão de perfurar um novo poço no Parque Roosevelt por emergência foi uma decisão conjunta do corpo técnico.
Com esta informação, que foi compartilhada por integrantes do corpo técnico do DAE em depoimentos realizados ontem, Wilson Dionísio teve sua avaliação compartilhada com outros servidores, sendo alguns engenheiros da autarquia. Wilson Dionísio comentou que a população cobrava nas ruas a falta de abastecimento em algumas regiões, entre as quais a do Parque Roosevelt e Vila Nova Esperança. Ele também repetiu que no final de março de 1999, a bomba do poço da Nova Esperança apresentou areia e teve o pré-filtro danificado. No dia 30 de março do mesmo ano, uma filmagem confirmou os problemas neste poço.
Segundo Dionísio, não havia outra alternativa para o abastecimento da região. Sobre sua assinatura no relatório que pediu a construção de um novo poço por emergência, ele declarou à CEI que o documento ratifica a avaliação feita pelo geólogo Flávio de Paula e Silva sobre o caso. Wilson Dionísio confirmou que não tem formação em engenharia, assinando o relatório como Diretor de Produção do DAE. O depoente afirmou que, em função da indisponibilidade de recursos na autarquia na época, o presidente Flávio Uchoa determinou que as solicitações de obras contassem com orçamentos. Assim, Dionísio solicitou o orçamento para cinco empresas antes de iniciar o processo formalmente.
Sobre a avaliação de emergência, Dionísio repetiu outros depoimentos do corpo técnico da autarquia, dizendo que a iminência do Poço Roosevelt I desabar era grande. Isto é emergência. Água é vida, não dá para esperar que uma regiãpo fique sem ela, contou. O servidor confirmou que uma parte da erosão que apareceu na região em 1999 ainda permanece. Segundo ele, a decisão pela contratação sem licitação, embora baseada em seu relatório, foi do Conselho Administrativo do DAE.
Próximos depoimentos
Ontem, a CEI do DAE completou 19 depoimentos colhidos. Na próxima terça-feira, também a partir das 13 horas, a comissão de vereadores espera concluir a avaliação sobre o primeiro item, a perfuração do poço do Roosevelt sem licitação. Para tanto, estão marcados os depoimentos do geólogo Flávio de Paula e Silva, de Moacyr de Cássia Pita, diretor da Hidrogeo, Alzira Garcia, ex-diretora jurídica do DAE, Celso Wagner Thiago, procurador jurídico do DAE, Edwin Avólio, ex-membro do Conselho Administrativo, e Elpídio Cristino Lima, ex-diretor financeiro da autarquia.
Cumprida esta lista, a CEI passará a discutir quem será convocado para depor no caso dos contratos sem licitação firmados entre o DAE e a Fundeb. Na próxima quinta-feira a comissão se reúne para definir os nomes. Depois desta segunda etapa, a CEI passa a analisar o item mais longo em apuração: a renúncia de receita no DAE. Este item, além de ser de difícil localização entre milhares de contribuintes do Município, está sendo levantado sobre os últimos 10 anos.