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Agências de turismo temem reflexos do terror

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O momento ainda é de avaliação. Os agentes de viagem temem que os turistas cancelem passeios pelos Estados Unidos.

As agências de turismo de Bauru vivem uma fase de expectativas em relação aos reflexos dos atentados terroristas ocorridos em Nova York e Washington, na última terça-feira. Os vôos marcados com destino a cidades dos Estados Unidos foram cancelados e, ainda na manhã de ontem, não eram permitidos pousos e decolagens nos aeroportos. À tarde, o espaço aéreo daquele país estava parcialmente liberado, com alguns aeroportos sendo reabertos. Diretores de agências de turismo consultados pela reportagem estimam que as viagens de final de ano para Nova York e Miami, geralmente bastante procuradas, terão quedas acentuadas.

Contudo, o momento ainda seria de avaliação da reação das pessoas diante do medo causado pelo clima de terror. Um dos reflexos mercadológicos para as agências pode ser a intensificação da publicidade enfocando viagens para outros destinos, inclusive brasileiros. Alguns, mais otimistas, acreditam que, até o final do ano, a situação já estará normalizada e que a procura por pacotes de férias para os Estados Unidos será normal.

Adriana Gabriele, proprietária de uma agência de turismo de Bauru, acha que ainda é cedo para fazer muitas previsões sobre isso, mas confirma o sentimento de medo entre as pessoas que tinham viagens marcadas para os Estados Unidos. Uma das conseqüências pode ser uma maior procura por viagens a cidades brasileiras. Viagens para a Flórida, Costa Oeste e Costa Leste dos Estados Unidos devem ter queda, segundo avalia Adriana.

Ainda é um pouco cedo para fazermos avaliações mais abrangentes, mas é certo que todos os acontecimentos desta semana deixaram as pessoas apreensivas. Temos um grupo de clientes que viaja com uma certa freqüência para os Estados Unidos. Esses, acredito que irão esperar as coisas se normalizarem e, com isso, acredito que as pessoas que estavam pensando em viagens a passeio para lá poderão optar por destinos na América do Sul, em geral, e para o próprio Brasil. Agora, inclusive, começa a época de cruzeiros marítimos brasileiros. Então, poderemos explorar isso, em termos de mercado, observa Adriana.

A japonesa Shikako Tange, 29 anos, que está em Bauru participando de um programa de intercâmbio, deveria ter voltado para o Japão ontem. Seu vôo fará uma escala em Los Angeles, o que a está deixando apreensiva. Porém, com a viagem cancelada pela companhia aérea, era mais uma das passageiras na lista de espera de embarque. Além disso, as aulas na universidade em que ela estuda começarão no próximo dia 19 e o adiamento da data de embarque poderá resultar na perda de alguns dias de aula.

Eu tinha viagem marcada para hoje (ontem), mas estou na lista de espera. Talvez, eu embarque no domingo, mas estou um pouco apreensiva porque meu vôo fará escala em Los Angeles. Minhas aulas na faculdade, lá no Japão, vão começar dia 19 e eu ainda preciso fazer matrícula. Então, se eu demorar muito para viajar, posso perder algumas aulas, mas gostaria de ficar mais aqui no Brasil, diz Shikako.

Roberta Regina Carneiro, agente de turismo de outra agência, avalia que as viagens para o revéillon de Nova York, sempre muito solicitadas por turistas, podem ter quedas de mais de 50% na procura. Segundo ela, vários clientes da agência na qual trabalha estão aguardando a autorização de embarque porque tinham viagem marcada aos Estados Unidos para esses dias, inclusive, para o próprio dia 11, quando ocorreram os atentados. Acredito que as viagens de final de ano para cidades dos Estados Unidos, principalmente Nova York, terão grandes quedas. No momento, as pessoas estão bastante temerosas, observa. Segundo Roberta, alguns clientes da agência que estavam com viagem marcada para os Estados Unidos, com embarque na próxima semana, desmarcaram e estão estudando uma nova data.

Em outra agência, o agente de turismo Jair Sarto parece mais otimista. Ele diz que não prevê grandes quedas generalizadas na procura por viagens com destino a cidades dos Estados Unidos. Não acredito em grandes reflexos negativos e acho que a situação voltará ao normal em breve. Até agora, na agência só tivemos um caso de uma pessoa que viajaria aos Estados Unidos na semana que vem e desmarcou o embarque. A procura pelas viagens de final de ano só começa em outubro, mas acredito que até lá esse sentimento de medo já terá passado, avalia.

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