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1,6 mi de brasileiros são reumáticos

Fabiana Teófilo
| Tempo de leitura: 4 min

Quase 90% das mulheres acometidas pela artrite não procuram o médico e não têm tratamento adequado

Quem já não ouviu falar de pessoas que tiveram seus movimentos limitados, deixaram até de trabalhar e de fazer simples atividades do dia-a-dia? Esse problema atinge cerca 1,6 milhão de brasileiros, dos quais 80% são mulheres acima de 40 anos. Trata-se da artrite reumatóide, uma doença crônica degenerativa, auto-imune, que afeta as articulações, provocando dor, rigidez, inchaço, perda de função nas articulações e inflamação em outros órgãos. Ataca principalmente pequenas articulações, como das mãos, podendo levar a deformidades importantes e definitivas, causadas pela destruição da cartilagem articular e do osso. Suas causas ainda são desconhecidas, mas recentes estudos mostram que certas pessoas herdam uma tendência para desenvolvê-la.

O diagnóstico precoce ainda é a melhor saída. Porém, quase 90% das mulheres acometidas pela artrite não procuram o médico ou não têm o diagnóstico correto da doença, assim como, muitas vezes, não recebe tratamento adequado. Muitas acreditam que é apenas uma dor temporária e que no dia seguinte poderá passar. A partir daí, a doença começa a progredir e, caso não haja intervenção de um tratamento, o paciente pode ate perder seus movimentos.

A artrite reumatóide provoca profundo impacto sobre o bem-estar físico, psicológico, social e econômico do paciente. Depressão, dependência, ansiedade, disfunção sexual e discórdia na família são comuns em pessoas acometidas pela doença, que apresentam, ainda, índice de divórcio de 70% acima da população geral. A incapacidade resultante da doença progressiva, por sua vez, leva a um expressivo impacto econômico. Cerca de 50% dos pacientes deixam de trabalhar num período de dez anos e a completa incapacidade até para as atividades diárias atinge 13% em 12 anos de doença.

A incapacidade e a imobilização trazem outras complicações, como infecções respiratórias, doenças cardiovasculares, insuficiência renal e mielopatia cérvica (compressão da medula cervical), podendo, inclusive, encurtar a vida significativamente.

Os pacientes com a doença mais severa e com maiores limitações das atividades diárias apresentam risco progressivamente maior de mortalidade.

Existem terapias que retardam a progressão da artrite reumatóide. Elas oferecem, para a maioria dos pacientes, alívio dos sintomas, controle das crises e a possibilidade de manter suas funções. O tratamento ideal requer diagnóstico precoce e terapia medicamentosa agressiva, antes da deterioração funcional e danos irreversíveis. As drogas antiinflamatórias oferecem um bom alívio das dores, porém todos os pacientes, em especial aqueles com edemas persistentes nas articulações, devem fazer uso de medicamentos denominados de imuno-moduladores, ou drogas antirreumáticas modificadoras da doença, entre as quais a mais recentemente desenvolvida é o leflunomide.

O que é?

É uma enfermidade crônica, sistêmica, ou seja, que pode afetar todo o organismo, de caráter inflamatório, de causa desconhecida e que se caracteriza pela forma com que afeta as articulações. Sabe-se que a inflamação das articulações se produz pelo ataque de nosso próprio sistema imunológico, que podem provocar alto grau de incapacitação.

É hereditária?

Sim. A medicina indica que parece existir uma certa predisposição genética para a moléstia. Isto não significa que filhos de pessoas com AR vão sofrer também de artrite reumatóide, apenas que têm maior probabilidade de adquiri-la. Estima-se que essa possibilidade seja quatro vezes maior entre parentes de primeiro grau de um paciente com AR.

É contagiosa?

Atualmente, de acordo com especialistas, é possível garantir que não existe risco de contágio da artrite reumatóide de pessoa a pessoa, nem de animal a pessoa.

Prevenção

Desde que não se conhece a verdadeira causa da artrite reumatóide, não há nenhuma forma de evitar o aparecimento da doença. O que se pode fazer é detectar a doença tão logo surjam os primeiros sintomas e, mediante a correta indicação de medicamentos, regime de vida e exercícios físicos, controlar melhor os ataques da artrite reumatóide e evitar, em alguma medida, que ela progrida com mais agressividade.

Sintomas

Embora o início da doença seja variável de paciente para paciente, é freqüente que a artrite reumatóide comece com sintomas inespecíficos. Uma vez que começa a se manifestar o dano articular, o sintoma mais freqüente é a dor nas articulações afetadas, dor que se agrava com o movimento. A dor se faz acompanhar, nos períodos agudos de inflamação, inchaço, maior sensibilidade e calor. É freqüente, além disso, uma rigidez generalizada, que é maior durante o repouso.

Diagnóstico precoce

Mediante o diagnóstico precoce da AR, pode-se indicar o correto tratamento e regime de vida que atenuem os sintomas dos primeiros ataques e das crises subseqüentes.

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