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Paz, paz, que língua falas?

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Shalom - Pace - Frieden - Paix - Irini - Pakój - Fred - Peace - Béke - Nala - Urede - Drzava - Rahua! O que querem dizer essas expressões, de grafia estranha e interpretação difícil, no curioso idioma de seus países de origem? E, por seu turno, teriam elas alguma correspondência especial, mesmo que distante, com a língua do nosso País, que conhecemos até certo ponto? Sufocando a pergunta do pressuroso leitor diremos prontamente que sim, pois, no bonito Português que recebemos de nossos eméritos descobridores, nos idos de 1500, ao sopro dos suaves ventos das caravelas de Cabral, tudo aquilo que citamos lá em cima se chama PAZ, somente PAZ, para nós outros. Sim, senhores, senhoras, rapazes, moças e crianças, a PAZ que o nosso prezado dicionário identifica como expoente de concórdia, sossego, silêncio, descanso, tranqüilidade pública, cessação de hostilidades e outras interpretações que, denotam, estão ficando esquecidas, abandonadas, deixadas à matroca pela maioria dos povos, para os quais o amor, a amizade e a solidariedade estariam se afogando silenciosamente nos revoltados mares da vida. A prova disso se tem no que está ocorrendo, entre norte-americanos e afegãos, como suplemento voraz do que há tempos vem acontecendo entre nações do Oriente Médio, especialmente entre palestinos e iranianos. Se achavam que esse conflito, que se denominou de guerra santa mas que tem todas as evidências de guerra diabólica, era pouco para satisfazer suas vaidades políticas e voracidades econômicas, outros partiram agressivamente para os então tranqüilos EUA, atirando aviões contra arranha-céus e tirando a existência de milhares de pessoas, que poderiam considerar e chamar de irmãos. Afinal - pergunta-se - por que chutar a tranqüilidade da PAZ e abraçar a violência da guerra? Por que jogar a vida contra torres e paredões se é ela que promove a saúde, a cultura, a educação, a integridade física dos seres, o progresso das nações e toda uma gama fabulosa de conquistas humanas, ainda que em nome de ideologias religiosas antagônicas? Ter-se-ia que raciocinar profundamente em torno de tão importante prisma, para que os organizadores ou coadjutores de tragédias como as que estão acontecendo mundo além não venham a se transformar em vítimas de seus próprios desmandos. Seria inadmissível se a PAZ, entendida pelos povos através de palavras sonoramente diferentes, tivesse para cada um significado diferente também, todos entendendo-a como sinômino de GUERRA. Seria o fim do mundo, que ninguém verdadeiramente deseja. É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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