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Câmara reage à 3ª morte em erosão

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Vereadores criticaram demora da Administração Municipal na recuperação da avenida Waldemar G. Ferreira.

A terceira vítima fatal da erosão da avenida Waldemar G. Ferreira provocou, ontem, a reação da Câmara Municipal contra a Administração do prefeito Nilson Costa (PPS). Até vereadores considerados moderados no discurso criticaram a letargia da Prefeitura e da Secretaria de Obras na solução do grave problema que afeta a avenida.

A tempestade do dia 8 de fevereiro deste ano abriu um enorme buraco na via - principal artéria de ligação entre as regiões da Vila Dutra e Vila Nova Esperança. Vinte e três dias depois da forte chuva, a erosão provocou a morte das irmãs Eliane e Viviane Cristina Costa. Elas eram passageiras de um veículo que caiu na erosão.

Há pouco mais de 15 dias, João Moraes Filho, de 62 anos, engrossou a lista de vítimas do buraco. Ele caminhava ao lado da erosão e acabou caindo dentro dela. Sofreu fraturas expostas e perfuração nos pulmões. Moraes morreu no último domingo. Sua morte provocou críticas endereçadas à Administração durante a sessão legislativa de ontem.

O discurso mais incisivo foi feito pelo vereador Luiz Carlos Valle (PSB). Ele acha um absurdo a Prefeitura ainda não ter nem mesmo iniciado a reconstrução do trecho da avenida que foi afetado pela tempestade. Já se passaram oito meses e nada foi feito. É preocupante. Isso chegou às raias do absurdo. Lamento a ineficiência, a incapacidade administrativa do atual prefeito, criticou.

O parlamentar diz que do jeito que a Administração trata o assunto fica a impressão que as obras de recuperação vão ter um custo vultoso, de milhões de reais. E não é. Isso é uma nojeira. Estão empurrando com a barriga, avaliou de maneira áspera. Segundo cálculos da própria Administração, a obra deverá custar cerca de R$ 100 mil.

Valle alerta o secretário municipal de Obras, arquiteto Edmilson Queiroz Dias, a quem admiro e respeito, afirmando que ele acabará sendo o culpado pela situação. Para o vereador, estão querendo fritar o secretário. E ele, inocentemente, ainda não percebeu.

O tucano Toninho Garmes também usou a tribuna para criticar a Administração. O que nos causa estranheza é a insensibilidade do Governo Municipal com as coisas de nossa cidade. Não venham me dizer que houve um acordo com o Ministério Público porque algumas delas (erosões) tinham que ser atacadas desde o dia em que apareceram.

Ele lamentou que o Governo do Estado não tenha atendido às reivindicações da Prefeitura que, através do prefeito Nilson Costa, solicitou ajuda financeira para recuperar os estragos da tempestade. A população está angustiada. Lamentável também o secretário de Obras dizer apenas que lamenta (a morte de João Moraes Filho). E o prefeito da cidade? Onde ele está? Ele está escondido, afirmou.

Garmes não poupa Nilson Costa e diz que ele não assume as obrigações do cargo. A Coordenadoria da Defesa Civil está em choque com a Administração. O delegado de polícia encarregado do inquérito que apura a morte das duas moças já avisou que vai anexar a morte da terceira vítima.

Para o parlamentar, alguns secretários municipais deverão ser responsabilizados pelo trágico desfecho. Não só civilmente, mas criminalmente. Todo aquele que de qualquer forma concorre para um crime, incide nas penas desse crime. E a omissão é crime porque é uma negligência por parte do Município a continuidade desse estado de coisas.

As críticas também partiram de integrantes da bancada situacionista. O vereador José Eduardo Ávila (PPB), moderado em seus discursos, usou a tribuna para cobrar da Administração um plano para enfrentar as enchentes de verão. Não há um plano, afirmou.

Já o vereador José Carlos Batata (PT) anunciou que está organizando uma vigília ao lado da erosão para protestar contra a Administração e chamar a atenção da comunidade para as três mortes provocadas pelo buraco.

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