Geral

De onde vêm as lições?

(*) N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

A indagação tem muita procedência porque nem todas as pessoas possuem lições de amor para dar ou passar, uma vez que, se são adversas para com a própria natureza, o são, igualmente, para com seu próximo, esse próximo que, normalmente, se chama pai, mãe, irmão, demais parentes e amigos. Sendo as lições, assim, difíceis de serem encontradas e assumidas, como descobri-las em meio às florestas agrestes dos corações humanos, a fim de, uma vez localizadas na espessa escuridão, serem virtualmente transmitidas a quem delas necessite para aprender ou usar? Lembre-se de que mesmo no recesso da coletividade elas remotamente se fazem presentes, haja vista que em muitas famílias há pais que educam os filhos a pancadas e outros castigos físicos, assim como filhos que digladiam através de murros ou socos pugilísticos com os genitores, novos ou idosos, quando não lhes tiram a própria vida... Por isso, quando as belas lições realmente acontecem, elas emocionam por colocarem em destaque gestos e atitudes verdadeiramente significativas, como a que ocorreu recentemente, em Porto Alegre-RS, onde um juiz de Direito comoveu a sociedade gaúcha ao dar ganho de causa a uma pobre viúva de 78 anos, que lhe requerera o direito de ver, abraçar e beijar, ao menos uma vez por mês, seus dois únicos netinhos, cuja mãe os proibia de visitar a vovozinha. Em arrebatadora sentença, o magistrado não só determinou que a própria mãe das crianças passasse a levá-los, pessoalmente, para ver a entristecida vovó, como contemplou o caso com profundas lições de sensibilidade e afeição. Depois de lembrar que as pessoas não nascem amantes e, por isso, precisam ser ensinadas a amar, o juiz deu despacho favorável ao comovente desejo da septuagenária - doente, triste e abandonada - opinando carinhosamente: Não posso determinar que os netos amem, mas posso esperar que eles sejam generosos com sua solitária vovozinha.

Muito bem, meritíssimo, congratulações! Sua lição tende a servir para muitos com que se tromba diariamente nas veredas da existência. Valem, sem dúvida, por muitos anos de escola, a escola da solidariedade que nunca poderia ficar com suas portas fechadas para os melhores sentimentos da humanidade. É a nossa opinião.

(*) N. Serra, Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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