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Leão cobra mais participação social

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 6 min

O apresentador Gilberto Barros diz que os empresários de Bauru devem participar mais de ações de cunho social.

O jornalista e apresentador Gilberto Barros Filho, o Leão, que, apesar de natural de Piracicaba, tem Bauru como sua cidade, cobrou ontem a participação do empresariado local em ações de cunho social. O chamado, feito várias vezes, foi feito durante a solenidade festiva de inauguração da piscina terapêutica da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), a qual foi construída com a ajuda de Barros, através de entidades solidárias que integra em São Paulo.

Leão considera vergonhoso o fato de uma entidade séria como a Apae de Bauru ter que contar com o auxílio de fora para viabilizar um projeto tão simples, mas que demorou sete anos para sair do papel. A insatisfação do apresentador, entretanto, não deverá ficar somente no discurso. Em entrevista ao Jornal da Cidade, no início da tarde de ontem, ele prometeu pegar no pé de empresários bauruenses, particularmente os do ramo supermercadista, para concretizar um outro antigo sonho da Apae: a construção do Lar Substituto.

A proposta é bem mais ousada que a piscina terapêutica, mas também de uma importância singular no que se refere à assistência da pessoa portadora de deficiências. O Lar Substituto funciona como um tipo de abrigo, com características de uma casa normal, para os excepcionais que ficam sozinhos depois que os pais morrem. Não há prazos e nem outros detalhes sobre a proposta, mas a garantia do apresentador de viabilizá-la. A seguir, acompanhe os principais trechos da entrevista concedida por Leão.

Jornal da Cidade - O contato do senhor com a Apae de Bauru, o qual classifica como um caso de amor, vem desde a década de 80, mas como foi que tudo começou?Leão - Até hoje sou considerado o maior vendedor de cachorro-quente que a Apae de Bauru já teve. Quando eu era repórter da Rede Globo (Barros foi o primeiro apresentador da emissora local), conheci a tia Olga (Olga Bicudo, presidente da Apae) em razão de matérias jornalísticas. Pouco depois eu já era voluntário, digo era porque hoje não sou mais; voluntário trabalha de verdade, todos os dias, enquanto eu apenas colaboro. Participei de quatro edições da Feira da Bondade, vendendo cachorro-quente numa barraca, e foi assim que a nossa história de amor começou. Como amor verdadeiro não morre, eu continuo ligado à entidade e à cidade de Bauru, apesar de morar em São Paulo. Para mim, aliás, Bauru seria a cidade ideal para eu viver.

JC - Volta e meia o senhor diz que Bauru é sua terra, mas na verdade é natural de Piracicaba...Leão - Foi aqui que eu comecei a plantar minha floresta e aparecer para o mundo. O Leão personagem nasceu em Bauru e a pessoa Gilberto Barros tem o título de cidadão bauruense, o qual honro muito. Ninguém tem a obrigação de fazer nada, mas o prazer de colaborar com a comunidade é muito grande. Experimentar essa sensação que eu estou vivendo nesse momento é por demais gratificante; estou invadido pelo sentimento de doação, de cumprimento de um dever que não é obrigatório.

JC - E como foi o trabalho para a conquista da piscina terapêutica? Leão - O trabalho não é meu, não, mas um esforço conjunto. Eu faço parte do Grupo Salvar, de São Paulo, que reúne empresários, comandantes de aviões e pilotos de grandes aeronaves. Através do Carlos Eduardo, presidente da entidade, uma pessoa que seria capaz de dar até a própria cueca se isso fosse preciso para ajudar alguém, foi que o projeto se viabilizou. Eu apenas tive a idéia de emprestar minha imagem de artista para a entidade, que também atua junto com a Associação dos Supermercadistas da Zona Sul de São Paulo. Eu apresentei o projeto e dei minha cara, o resto foi por conta deles, que nunca questionaram a respeito da proposta. A luta, agora, será para construirmos o Lar Substituto, porque, se a idéia existe, funciona e tem a retaguarda administrativa da Apae, é preciso correr atrás.

JC - Por várias vezes hoje, o senhor cobrou o empenho dos empresários bauruenses nessa nova empreitada. Como eles serão chamados a participar?Leão - Ninguém terá obrigação de ajudar, mas, se não houver apoio, eu vou dedá-los via televisão, em rede nacional, porque é uma vergonha a Apae ter que buscar recursos em São Paulo para fazer uma piscina que beneficiará 400 assistidos. Eu sei que enfrentarei resistência, porque tem empresário em Bauru, e eu sou testemunha disso, que arrepia o cabelo toda a vez que vê a dona Olga Bicudo. Ficam pensando Lá vem ela pedir ajuda.

Para o Lar Substituto, não quero envolver ninguém de fora. Acho que Bauru tem obrigação de mostrar seu empenho. Não é possível que cidades pequenas conquistem tantas coisas, enquanto Bauru pouco faz. O que está acontecendo? Temos que crescer, chega de dividir com os outros a nossa cidade, chega de pedir ajuda de fora, afinal, somos auto-suficiente e uma das melhores cidades do mundo para se viver. Por que as coisas não se realizam aqui? Empresariado bauruense, um aviso a todos: eu virei e irei bater na porta de cada um de vocês.

JC - O senhor acha que iniciativas como a sua de emprestar a imagem em prol de projetos sociais são muito tímidas?Leão - Ego é uma coisa muito séria. Ego de artista, então, nem se fala, porque são dois negócios muito sérios. Felizmente, eu sei o que significa se doar, mas tem artista que ainda não foi abençoado, que ainda não foi picado no coração pelo bichinho da solidariedade, do amor ao próximo, da doação, do agradecimento. Eu consegui ser jornalista profissional graças a uma ação do sindicato de Bauru, que fez meu primeiro registro. Meu filho é bauruense, minha família foi constituída aqui, meu pai se salvou graças a uma cirurgia realizada aqui, tenho muitos amigos e meu irmãos moram em Bauru. Eu entendo que devo fazer um pouquinho pela cidade e acho que outros bauruenses célebres deveriam fazer o mesmo. Se não ainda não o fazem ou não o farão, que os perdôe.

JC - Mudando de assunto, gostaria de saber porque a linguagem dos seus programas mudou, saindo da linha mundo cão e passando para o estilo game show...Leão - Engano seu. O Leão Livre entrou no lugar do Ratinho, que, este sim, fazia o programa nesse estilo. Nós, porém, tínhamos a sensibilidade de chegar no limite do possível, sempre jornalisticamente. Posso mostrar todos os 400 programas que foram ao ar e não há nenhum no estilo mundo cão. O que tinha, às vezes, e que o Rato faz e eu apóio - aliás acho o programa dele o melhor do Brasil -, é a quebra da hipocrisia que nós, jornalistas como eu e você, insistimos em manter, não mostrando determinadas realidades. O programa mudou de linha sim, porque eu precisava tirar o estigma que você mesma me rotulou, me comparando ao Ratinho, que é meu amigo particular. Precisava dar um tempo nesse troço de bicho Ratinho e Leão. Em breve, porém, o Leão Livre vai estar de volta. Deverá ser um programa que vai misturar a fórmula antiga com essa que trabalhamos no momento. Quero que o programa seja uma grande revista.

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