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Mulheres dão mais sensibilidade à PM

Redação
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Policiais acreditam que as atividades cotidianas são resolvidas com mais facilidade e jeito pelas mulheres.

Deixando cada vez mais para trás a cultura da submissão e dedicação exclusiva ao lar, as mulheres vêm comemorando a consolidação progressiva de seu espaço e respeito em locais de trabalho tradicionalmente ocupados por homens. Galgaram, por exemplo, postos em grandes empresas, no fechadíssimo Supremo Tribunal Federal, no pregão das bolsas de valores, oficinas mecânicas, pontos de táxi, volantes de caminhões e no pesado cotidiano das Polícias Militar e Civil, onde, aliás, é difícil quem negue o poder do jeitinho feminino.

Policiais homens e mulheres entrevistados pelo JC foram enfáticos ao afirmar que a sensibilidade das mulheres é um fator importante na rotina diária, auxiliando na condução de muitos casos.

Rosimeire Ribeiro do Prado Francisco, policial feminina de trânsito, é uma entre as diversas mulheres que engrossam a equipe da Polícia Militar de Bauru. Ela optou pela carreira há cinco anos e hoje divide sua vida entre o trabalho e os cuidados com os filhos gêmeos de sete meses.

A policial conta que assim que passou em todos os testes, foi designada para trabalhar em Barra Bonita, onde permaneceu durante sete meses. Quando transferida para Bauru, foi logo inserida na equipe de policiamento de trânsito, área em que presta serviço atualmente. Conforme assegura, não existe distinção de sexo no preparo e no dia-a-dia do policiamento de trânsitos. Para homem e para mulher é a mesma coisa. Não tem aquele negócio de só porque é mulher fica lá atrás. Não tem diferença mesmo, garante, salientando que o preconceito não faz parte da realidade das policiais femininas, cujo trabalho, por sinal, seria muito bem aceito pela população.

Para quem duvida da eficiência do sexo frágil, Rosimeire revela: A sensibilidade aguçada das mulheres auxilia em algumas atividades policiais e abordagens. No meu ponto de vista, a mulher tem um pouco mais de percepção e sensibilidade para resolver os problemas com maior rapidez, enalteceu.

O comandante do 4.º Batalhão de Policiamento Militar do Interior (BPM-I), tenente-coronel Eliseu Eclair Teixeira Borges, garante que o serviço executado pelas policiais femininas dentro da corporação é exatamente igual ao masculino. Até no ano passado, contou, o policial feminino desempenhava funções específicas em virtude da antiga companhia da Polícia Militar para mulheres. O caráter do trabalho era mais de assistente social, observou.

Atualmente, as mulheres da PM são designadas para as mesmas funções desempenhadas pelos homens, trabalhando durante o dia ou à noite, em serviços administrativos ou de patrulhamento. Hoje, elas estão absolutamente integradas aos serviços operacionais da Polícia Militar, ou seja, fazem efetivamente parte do contingente, sublinhou Eclair.

O comandante do 4.º BPMI disse, também, que as policiais femininas desfrutam dos mesmos direitos e encaram as mesmas obrigações que os homens. Em contato com a população, no desempenho de atividades diárias, muitas vezes elas são até mais respeitadas que os homens. Eu as encaro com a mesma responsabilidade e eficiência, sem qualquer segregação pelo fato de serem mulheres, reforçou.

O comandante Eclair concorda com algumas policiais quanto ao poder da sensibilidade feminina na execução das atividades da PM. Realmente, a maior sensibilidade das mulheres só ajuda. Se eu tivesse condição de escolher, aumentaria o meu quadro de policiais femininas. Gostaria de tê-las em maior número, confessou.

Atualmente, o contingente feminino do 4.º BPMI representa cerca de 8% do total dos 1.056 policiais. Apesar de o número ainda ser pequeno em relação à quantidade do contingente masculino, Eclair informou que a presença das mulheres está crescendo gradativamente. Só não aumentou mais porque não dispúnhamos de mais vagas, justificou.

Veterana

A sargento Maria Luiza Balletto Ferreira, policial da área administrativa do 4.º BPMI, é da primeira turma feminina da Polícia Militar de Bauru. Ela conta que, hoje em dia, não há mais preconceito em relação à mulher, principalmente quando traça comparativos com a época em que ingressou na corporação. Quando entrei, a comunidade estranhou um pouco, porque nunca tinha visto uma mulher fardada. Mas, hoje, isso não é mais novidade para ninguém. Nós já estamos aqui há 15 anos e não há preconceito algum, assegura.

Maria Luiza concorda que a mulher policial tem a seu favor os dons naturais do sexo. A gente tem um pouquinho mais de jeito para falar com as pessoas, mas isso é uma característica que faz parte da nossa natureza, disse. A soldado Patrícia Gonçalves Pereira, que trabalha no patrulhamento diário da Zona Sul da cidade, conta que gosta muito do que faz e procura dedicar-se ao máximo. Eu me encontrei, ressalta. Nós somos um pouco mais sensíveis, principalmente em ocorrências que envolvem crianças ou a família. Sabemos conversar e entender melhor a situação, acredita ela.

Polícia Civil

Na Polícia Civil, os cursos preparatórios para que as mulheres ingressem na corporação também são os mesmos que os freqüentados pelos policiais homens. Em Bauru, o efetivo conta com 51 mulheres de um total de 153 funcionários, entre delegados, investigadores e escrivãos. Dos 50 escrivãos, 28 são mulheres. Proporcionalmente, a predominância dos homens é grande, sendo que a menor diferença está nos cargos administrativos. Dos 50 escrivãos, 28 são mulheres e nos cargos de investigador, as mulheres ocupam 21 cadeiras contra 57 dos homens. Discrepância maior verifica-se em relação aos delegados: apenas duas das 25 vagas são ocupadas por mulheres.

Quanto ao relacionamento entre colegas de trabalho nas unidades da Polícia Civil em Bauru, o delegado seccional Antônio Ângelo Ciocca salienta que homens e mulheres convivem de forma saudável, sem diferenças ou preconceitos. O relacionamento homem-mulher é o melhor possível, garantiu.

Ciocca destacou o trabalho da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde trabalham exclusivamente policiais femininas, entre delegada, escrivãs e investigadoras. Todas elas são habilitadas a portar armas e algemas. Em buscas nas favelas, elas vão sozinhas muitas vezes e desempenham as atividades sem qualquer temor, frisou.

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