A Justiça está decidindo sobre a guarda da criança, uma menina de 3 anos que está abrigada em uma entidade.
Uma menina de 3 anos de idade contraiu, há cerca de oito meses, o papiloma vírus humano (HPV). O condiloma - como é mais popularmente conhecido -, é uma doença transmitida por contato sexual ou no nascimento. Em razão disso, a criança foi internada na Casa da Criança e um inquérito policial foi aberto para averiguar a possibilidade de abuso sexual.
O caso foi conduzido à Vara da Infância e da Juventude e o juiz Ubirajara Maitinguer ainda não o julgou. Ele está analisando a possibilidade da guarda da menina ser retirada da mãe e concedida a outro parente. A Justiça não pôde fornecer outras informações porque o caso está correndo sob sigilo.
A mãe da garota (cujo nome o JC está preservando), afirma que sua filha foi vítima de abuso sexual. Ela registrou queixa na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e alega que, injustamente, está correndo o risco de perder a guarda de sua filha, a qual não vê há cerca de oito meses. Pelo caso não ser investigado, não descobriram que não foi em casa que ela pegou essa doença, alega.
A mãe afirma que um primo distante seria o responsável pelo eventual estupro, que teria acontecido quando a criança estava sob os cuidados da avó.
A doença foi descoberta quando foi constatada uma verruga no ânus da menina. Ela foi encaminhada a cuidados médicos, quando constatou-se que tratava-se de uma doença venérea.
Segundo a mãe, a menina teria sido encaminhada ao Conselho Tutelar e, posteriormente, à Casa da Criança. Ela teme perder o direito sobre sua filha e, principalmente, que a guarda seja concedida aos familiares que supostamente teriam descuidado da vítima. Minha filha não pode voltar para o lugar onde ela pegou essa doença, diz.
De acordo com a delegada Rejani Borro Tiritan, titular da DDM, foi registrado um boletim de ocorrência de atentado violento ao pudor, já que o estupro ainda não pôde ser confirmado. O caso está sendo investigado.
Rejani conta que os principais suspeitos de terem cometido abuso sexual, entre eles o primo acusado pela mãe, foram submetidos a exames. Os exames tiveram resultado negativo. Portanto, o HPV não foi constatado em nenhum deles.
Saiba mais sobre o HPV
O papiloma vírus humano (HPV), mais conhecido como condiloma, é uma doença transmitidasexualmente, de acordo com João Paulo Issa, médico ginecologista.
O médico afirmou que, apesar de não serem raros os casos de crianças com a doença, eles não acontecem com muita freqüência. Quando constatada a doença, o infector deve ser rastreado, já que, na maior parte das vezes, esses casos decorrem de abuso sexual. É traumatizante encontrar uma criança nessa situação e não saber de onde vem a doença, expôs.
O contato dos órgãos sexuais da criança com a secreção de uma pessoa contaminada pela doença também pode desencadear o HPV, de acordo com o profissional. São casos em que há abuso sexual ou outra pessoa contaminada, ao higienizar a criança, contaminou-a com secreção, esclarece Issa.
A doença é importante, além disso, por ser precursora do câncer de colo de útero.
Os exames que detectam a doença são a peniscopia, para homens, e colposcopia e citologia oncótica (papanicolau), para mulheres.
Quando o HPV, em seu estado ativo, é constatado em exame clínico, o tratamento consiste em higienização e cauterização do local em que ele se manifesta. O tratamento em crianças do sexo feminino não tem grandes complicações, de acordo com o ginecologista, por ser externo - não há acesso a cavidades.
Issa salienta que o condiloma pode permanecer inativo no organismo durante algum tempo. A prevenção, segundo o médico, trata-se do uso do preservativo nas relações sexuais.