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Armas biológica e química preocupam

Redação
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Pesquisadores da Unesp de Bauru alertam para os perigos e possibilidades do uso das armas biológicas e químicas.

Pesquisadores do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) alertam para os perigos e as possibilidades de uso das armas biológicas e químicas. Em virtude dos conflitos entre Estados Unidos e Afeganistão, originados no último dia 11 de setembro com o atentado terrorista em Nova York, muitas pessoas temem que essas armas possam contaminar habitantes não só de países envolvidos na guerra, mas do mundo todo.

As armas biológicas são organismos vivos, na maior parte das vezes bactérias, vírus e fungos, que se multiplicam com facilidade desde que em condições adequadas à sua reprodução e que podem provocar doenças fatais.

Já as armas químicas consistem em produtos químicos, portanto inanimados, que são despejados na natureza e provocam danos ao meio ambiente e aos seres vivos.

Ambas, de acordo com os pesquisadores, são obtidas com baixo custo e são produzidas a partir de fórmulas relativamente simples, em laboratórios.

Armas biológicas

Entre as inúmeras possibilidades de elaboração de armas biológicas a partir de microorganismos, o professor Olavo Speranza Arruda, que ministra aulas de Microbiologia na Unesp de Bauru, destaca as mais utilizadas. São aquelas que facilmente são propagadas e obtidas e que, além disso, provocam doenças fatais - de interesse para a guerra.

O professor afirma que também é possível produzir armas biológicas com organismos maiores, apesar dos mais eficazes em casos de guerra serem os microorganismos.

As bactérias são os componentes mais utilizados atualmente para fabricação de armas biológicas. Entre as mais freqüentemente encontradas com essa finalidade, está a bacillus anthracis, que provoca o antraz, ou carbúnculo.

A bacillus anthracis tem características peculiares que auxiliam na sua utilização como arma química. Uma delas é a formação de esporos - uma semente resistente em que a bactéria se condensa, podendo viver em condições adversas na natureza durante mais de 50 anos. Geralmente, os esporos são encontrados em pastagens, pêlos de animais e outros objetos fabricados a partir de plantas e animais. Qualquer animal que se alimentar daquilo, ou o homem que entrar em contato com o esporo, pode adquirir a doença, conta Arruda.

Os esporos, além disso, não são visíveis a olho nu, o que torna ainda mais difícil os cuidados preventivos.

A doença, originária de animais herbívoros, torna-se fatal quando atinge seres humanos. A bactéria penetra no organismo na maior parte das vezes pela aspiração, instalando-se no pulmão. Devido às condições adequadas de reprodução no órgão, pela temperatura e umidade, ela sai da fase de esporo e volta à sua etapa ativa, reproduzindo-se e fabricando a toxina que pode ser letal ao ser vivo.

A toxina pode matar rapidamente um homem - em dois ou três dias. Um fator agravante de sua periculosidade é que, no início, ela provoca sintomas semelhantes a uma gripe. É um prazo muito curto para que se tome uma providência. Os sintomas vão aumentando e em dois ou três dias ela pode matar, expõe. A vida da pessoa contaminada com a bacillus anthracis pode ser salva antes do aparecimento dos sintomas, com antibióticos, de acordo com Arruda. Quando os sintomas manifestam-se, a quantidade de bactérias e toxinas já é muito grande no organismo. Mesmo que você tome o antibiótico que cure e mate as bactérias, a toxina que foi produzida já é suficiente para matar o indivíduo, agrava.

A bacillus anthracis é a bactéria mais usada na guerra biológica, de acordo com o pesquisador, por ser relativamente fácil de ser produzida em laboratório, por ser resistente e por provocar uma doença fatal. Qualquer outra poderia ser usada, mas não é tão eficiente como essa. Uma vez encontrada uma bactéria, você mantém aquela cultura indefinidamente no laboratório, frisa.

A disseminação, em caso de guerra, é feita em locais de grande concentração de pessoas e pode atingir, indistintamente, toda a população. O local contaminado deve ser isolado com o objetivo de evitar outras vítimas. É uma arma muito perigosa pela destruição que pode provocar, acredita Arruda. Apesar disso, a contaminação de pessoa para pessoa é muito difícil. O professor afirma que a transmissão ocorre, preferencialmente, por meio do contato com o esporo.

As vacinas contra tais bactérias existem - tanto para animais como para seres humanos. No entanto, são produzidas em pequenas quantidades e utilizadas principalmente por pessoas que estão sob risco alto, como militares. Não há estoques de vacina para a população de forma geral. E fabricá-la rapidamente não é possível, salienta o especialista.

Outro aspecto das armas biológicas a ser considerado é o custo - baixo, quando comparado ao armamento bélico. Não é um custo tão alto porque a bactéria é obtida com facilidade, observa o pesquisador.

Guerra Química

As armas químicas são basicamente gases devido à capacidade de rápida difusão, de acordo com o professor Aguinaldo Robinson de Souza, que ministra aulas de Química e Bioquímica no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp). São composições químicas com alto poder destrutivo - tanto de seres humanos quanto de ambientes.

De acordo com o professor Olavo Speranza Arruda, do departamento de Biologia da Unesp de Bauru, as armas químicas também foram bastante utilizadas na Colômbia, para eliminar plantações da matéria-prima da cocaína.

Um dos mais conhecidos é o gás Orange, também chamado de agente laranja. Ele foi utilizado como herbicida na guerra do Vietnã pelo poder de desfolhar florestas e eliminar plantações - fontes de alimentos. Isso porque os vietnamitas usavam as folhagens como proteção, esclarece o pesquisador. O agente azul é outro gás usado em guerras químicas e é baseado em arsênico, que provoca morte por asfixia.

O gás Mostarda é uma arma química que tem fórmula simples e foi descoberto e usado pela primeira vez em 1860. Ele é composto, basicamente, por cloro e átomos de carbono e enxofre. Quando em contato com a pele, provoca a formação de bolhas; se aspirado, provoca danos fatais ao pulmão. Além disso, pode cegar a pessoa atingida nos olhos.

Apesar dos gases usados em armas químicas terem fórmulas relativamente simples, seus componentes são materiais controlados e de difícil acesso para a população em geral. Somente os laboratórios químicos e as universidades têm acesso a esses componentes, destaca Souza.

Pelas dificuldades de transporte do gás a locais distantes, muitas vezes o armamento bélico é utilizado para que o produto atinja o alvo, de acordo com o professor. Para alguém jogar uma arma química do Afeganistão nos Estados Unidos é muito difícil, diz. Outra peculiaridade é que muitos dos gases utilizados como armamento não têm cheiro. Ou seja, a vítima só percebe que foi contaminada depois do contato. A prevenção contra armas químicas se faz basicamente pela utilização de máscaras com filtros de ar.

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