Os pequenos delitos, como furtos a lojas e som de veículos, ligados ao uso de drogas, também aumentaram na Zona Sul.
O número de adolescentes que está morando ou passando boa parte do dia e da noite nas ruas de Bauru usando cola de sapateiro, principalmente na Zona Sul, aliado ao aumento de pequenos delitos, como furtos a lojas e de toca-CDs de interior de veículos nessa região, está preocupando o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) das áreas das Bases Comunitária Sul e Centro da Polícia Militar e do 3.º Distrito Policial. O Conseg, que discutiu o assunto na reunião mensal, realizada na última terça-feira, quer mais rigor do Conselho Tutelar de Bauru nas ocorrências envolvendo adolescentes.
O presidente do Conseg Sul-Centro/3.ºDP, Primo Mangialardo, explicou que a proposta do órgão é que a conselheira tutelar de plantão no período noturno cumpra o turno em uma das bases comunitárias da PM - Centro ou Sul - para facilitar e agilizar o encaminhamento dos adolescentes drogaditos para os órgãos competentes, incluindo abrigos. Mangialardo contou que há informações de que adolescentes estão sendo usados para cometer delitos.
Um casal, ocupando um Palio que já foi identificado pela polícia, estaria usando um adolescente para praticar furtos na Zona Sul, de acordo com Primo Mangialardo. O casal ficaria no carro e orientaria o adolescente a fazer o furto. Em seguida, recolheria o objeto furtado e pagaria um determinado valor ao adolescente.
Após ser identificado pela polícia, o Palio teria deixado de circular na região. No entanto, Mangialardo acredita que outros adolescentes também possam estar envolvidos em esquemas semelhantes, sendo usados por maiores de idade o que, para ele, necessita de uma ação rigorosa do Conselho Tutelar, que enfrenta vários problemas estruturais para trabalhar.
Em matéria publicada pelo JC recentemente, a presidente do Conselho Tutelar, Darlene Tendolo, alertou que o órgão estava em colapso, sem condições de dispensar atendimento adequado a todos os casos recebidos. Ela argumentou que aumentou a demanda de serviços do Conselho Tutelar enquanto o quadro de funcionários é reduzido - cinco conselheiras para atender toda a cidade 24 horas.
Ela também listou antigos problemas estruturais, como a falta de motorista para o período noturno, que dificulta o deslocamento da conselheira, e do fato de o Conselho Tutelar ser acionado para atender ocorrências que não são de competência do órgão. Para o Conseg, ao fazer o plantão noturno em uma das bases comunitárias da PM, a conselheira tutelar driblaria a dificuldade de deslocamento até o local da ocorrência.
Atualmente, a conselheira de plantão fica em sua casa, sendo acionada pela polícia ou outros órgãos quando há ocorrência envolvendo adolescentes em situação de risco. Primo Mangialardo acredita que com a conselheira fazendo plantão na base da PM o encaminhamento de adolescentes drogaditos, a maioria dos que cometem pequenos furtos, a entidades de recuperação será agilizada.
Abrigo
O Conseg cobra que os adolescentes envolvidos com drogas, que acabam cometendo furtos para sustentar o vício, sejam abrigados na Gilgal - a Prefeitura de Bauru mantém um convênio com a entidade para abrigar adolescentes do sexo masculino envolvidos com droga. Para exemplificar, Primo Mangialardo contou que um adolescente, que seria responsável por cerca de 20 pequenos furtos na área central e Zona Sul, apesar de ter sido identificado pela Polícia Militar e encaminhado para a delegacia continua na rua.
Esse adolescente, de acordo com Mangialardo, deveria estar numa entidade. Na reunião de terça-feira, o Conseg decidiu solicitar à Polícia Federal rigor na fiscalização aos pontos-de-venda de cola de sapateiro na cidade. O objetivo é dificultar que os adolescentes tenham acesso ao entorpecente.