A instalação de escritório da Reitoria em Bauru visa a descentralização da administração e a redução de gastos.
O câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) deverá receber, em breve, um escritório regional da Reitoria. A informação é do professor José Carlos de Souza Trindade, reitor da universidade.
O escritório regional, de acordo com Trindade, facilitaria o diálogo com os órgãos colegiados não só de Bauru, mas também das faculdades unespianas da região.
Atualmente, os membros dos órgãos representativos deslocam-se periodicamente a São Paulo para realização de reuniões com a Reitoria. Com o escritório regional, além da proximidade com a realidade do câmpus local, os gastos com as reuniões seriam reduzidos, já que apenas o reitor e poucos assessores se deslocariam para Bauru. É uma possibilidade que já está praticamente concretizada. É uma abertura para o câmpus de Bauru e também é uma administração mais direta do reitor com as unidades, enfatiza.
Apesar da novidade, que pode despertar o ânimo de bauruenses, o vice-reitor da Unesp, Paulo César Razuk, afirmou, em outra oportunidade, que a proximidade criada com o deslocamento das reuniões para Bauru não está relacionada ao processo de interiorização da Reitoria. Além disso, a iniciativa fez parte do plano de campanha de Trindade.
O reitor esteve em Bauru, ontem, por ocasião da inauguração das obras da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp. A Faac ganhou um laboratório para o curso de Relações Públicas, um para o curso de Desenho Industrial e o laboratório de Jornalismo On Line. Além disso, foi inaugurada a galeria de ex-diretores e vice-diretores. São inaugurações importantes para ampliar o espaço didático dos estudantes, principalmente na parte de Artes, Jornalismo e Relações Públicas, frisou.
Quanto aos recursos que serão destinados a Bauru em 2002, Trindade expôs que foi elaborada uma proposta orçamentária que será encaminhada ao Conselho de Administração e Desenvolvimento (CAD) da Reitoria. O órgão, por sua vez, enviará a proposta ao Conselho Universitário (CU). Será definido após a aprovação do Conselho Universitário. Em linhas gerais, a proposta foi apreciada, porque passou pelos diretores, diz.
Trindade antecipa que constam da proposta obras para os diferentes câmpus da Unesp, inclusive o de Bauru. É o caso do restaurante universitário. Além disso, o orçamento de 2002 prevê obras referentes à redefinição de espaços das unidades do câmpus de Bauru.
Pedagogia Cidadã
Outra novidade trazida pelo reitor da Unesp é o Projeto Pedagogia Cidadã, que pretende formar 40 mil professores em três anos e meio. A iniciativa terá início em 2002 e é uma parceria da universidade com o governo do Estado e as prefeituras municipais envolvidas.
Pela Lei de Diretrizes e Bases, os professores do ensino fundamental e infantil obrigatoriamente têm que ter curso superior, até 2007. Com base nisso, a Unesp realizou uma pesquisa que detectou que, no Interior do Estado de São Paulo, 40 mil professores não têm o curso completo. Na Capital, eles totalizam outros 40 mil.
O Projeto Pedagogia Cidadã prevê a formação de 40 mil professores, num prazo de três anos a três anos e meio. O curso será ministrado pelos professores da Unesp e abrangerá, numa fase inicial, 100 municípios. Se nós fôssemos aguardar que todos os professores se inscrevessem nas escolas, levaria mais uma geração para concluir esse processo, observou Trindade.
Interiorização
O processo de interiorização da Reitoria da Unesp tem sido pauta das reuniões do Conselho Universitário. O último encontro do órgão foi realizado no final de agosto.
No entanto, de acordo com o reitor da universidade, o CU passará, em breve, por mudanças nas representações. Trindade teme que as alterações possam representar entraves às propostas de interiorização. Eu não sei bem como é que eles vão reagir. Eu acho que vai retardar o processo. Pode ser que esses novos membros queiram mais tempo para fazer uma reflexão, supõe.
Quanto aos estudos sobre a gestão do Hospital Regional, Trindade afirma que eles ainda serão aprofundados. A proposta apresentada pela Unesp é de que a Faculdade de Medicina de Botucatu administre o Hospital com verbas da Secretaria de Saúde, abrindo espaço para requalificação de recursos humanos na área médica. A Unesp vê com simpatia essa proposta e a Faculdade de Medicina teve uma manifestação favorável. Será um espaço aberto para qualificação dos recursos humanos da área de saúde, salienta.
Em sua visita a Bauru, Trindade lembrou também a criação dos 14 novos cursos de graduação da Unesp, que significam 530 novas vagas. Desse total, 13 cursos já receberam inscrições para o vestibular deste ano e terão início já em 2002. São eles: Química e Pedagogia, em Bauru; Relações Internacionais, em Franca; Engenharia de Material e Matemática, em Guaratinguetá; Ciências Biológicas, Física e Matemática, em Ilha Solteira; Ciências Biológicas, em Jaboticabal; Engenharia Ambiental, Ciências da Computação e Física, em Presidente Prudente; e Ciências Biológicas com habilitação em Gerenciamento Costeiro e Biologia Marinha, em São Vicente.
Novos câmpus
O governador Geraldo Alckmin encaminhou à Assembléia Legislativa um orçamento suplementar de R$ 12.150 milhões destinado à Unesp. Com os recursos, a reitoria deverá implantar salas adequadas para os novos cursos e criar novos câmpus, de acordo com o reitor da universidade, José Carlos de Souza Trindade.
A idéia é implantar unidades da Unesp nas cidades de Registro, Iperó, Ourinhos e Lousada. Numa segunda etapa, seriam criados novos câmpus em Itapeva, Dracena e Tupã. Isso vai significar uma grande ampliação não só nas possibilidades de novos cursos, mas também de novos campi, no Estado de São Paulo, disse.