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Santa Casa de Pirajuí enfrenta greve

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Mudança na jornada de trabalho, reivindicação por aumento salarial e suspeita de irregularidades explicam paralisação

Pirajuí - Funcionários da Santa Casa de Misericórdia de Pirajuí estão em greve desde as 6 horas da manhã de ontem. Eles reclamam de uma alteração repentina na jornada de trabalho promovida pelo provedor da instituição, de um desconto involuntário no salário e da falta de transporte para os trabalhadores do turno da noite e reivindicam reposição das perdas salariais referentes aos últimos cinco anos. Paralelamente, o Ministério Público estadual investiga indícios de irregularidades administrativas denunciadas por médicos da própria Santa Casa.

Desde 1987, os funcionários do hospital faziam uma jornada de trabalho no esquema 12x36 horas, quer dizer, eles trabalham 12 horas seguidas e folgam nas 36 horas seguintes. Agora, o provedor da instituição mudou a jornada de todos os funcionários para seis horas diárias. Isso prejudicou aqueles que têm mais de um emprego ou que estudam, informou a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru e região, Marilsa Sales Braga.

Outra reclamação dos funcionários, segundo ela, é a falta de segurança e transporte para os funcionários que chegam ou saem à 1 hora da madrugada. Ela afirma que, neste horário, não há mais ônibus coletivos circulando na cidade e a Santa Casa não disponibiliza um meio de transporte para os funcionários. Aqueles que não têm carro acabam andando a pé ou contando com carona. Recentemente, uma enfermeira foi assaltada no caminho de casa ao sair do hospital neste horário, ressaltou Braga.

A categoria também reivindica um aumento salarial de 33%, referente às perdas acumuladas desde 1997, período em que não houve reajustes. Braga informou que o dissídio da categoria foi em 1 de abril, mas não houve acordo até agora.

O desconto involuntário de R$ 10,00 no salário de todos os funcionários também desagrada os trabalhadores. O provedor alega que os funcionários têm que participar da irmandade e fazer a doação, mas eles não concordam. Além disso, ele costuma castigar funcionários, trocando-os de turno sem aviso prévio ou aumentando suas atribuições, ressaltou Braga.

Segundo ela, três reuniões já foram realizadas para tratar destes assuntos, mas o provedor da Santa Casa mostrou-se irredutível. A sindicalista explicou que 70% dos 50 funcionários do hospital interromperam suas atividades com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para a situação e forçar uma mudança na postura do administrador da entidade. Os demais 30% dos trabalhadores deverão manter apenas os atendimentos de urgência e emergência, como determina a lei. Todos os procedimentos eletivos (com hora marcada e em que não há risco de morte) foram adiados ou suspensos.

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