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Quem não anuncia se esconde!

N. Serra
| Tempo de leitura: 2 min

Dois publicitários executivos ingleses estão trabalhando, em Londres, num projeto tendo por finalidade implantar anúncios comerciais na ampla superfície da Lua, até à qual chegariam através dos poderosos reflexos dos raios solares. Seria possível usar, como cartaz de propaganda, o belíssimo e enorme satélite, admirado por todos, de ambos os sexos e todas as idades e, inclusive, bem aproveitado pelos amorosos namorados como fogo incendiador de seus corações? Sabe-se lá, mas, como muita coisa inédita tem sido possível fazer e tradicionalizar neste mundo de loucos e sadios, com idéias as mais excêntricas surpreendendo a humanidade, entende-se que seja possível realizar-se mais essa. Uma das tais investidas humanas, a famosa subida do homem aos domínios lunares, aconteceu em meio ao espanto geral porque até então ninguém tinha pensado em avanço dessa envergadura. Afinal, como alçar a tais alturas e, finalmente, desembarcarem-se tantas carcaças humanas nos portos de além nuvens? Difícil, problemático ou enigmático, mas foi tentado e deu certo, certíssimo! Se tivessem levado na caravana um grupo de sambistas teria acontecido até o primeiro show nas amplas alturas... Conseqüentemente, se o impossível aconteceu naquela ocasião, num dia de lampejo da tecnologia universal, não se pode nem pensar em dissuadir os jovens publicitários londrinos de sua revolucionária idéia. Pode-se apenas, quando muito, deplorar que a subida de imagens e letreiros de propaganda até o formoso rosto da Lua amiga possa se tornar em mais uma séria concorrente dos jornais, televisões e estações radiofônicas que, aqui na Terra, fazem das tripas corações para engordar suas receitas, porque a anuncialidade genérica ainda não atingiu o espaço lunar mas já inunda a Terra inteira, com propaganda de vários tipos e tamanhos, porquanto já se implantou plenamente na cabeça do empresariado em geral o axioma segundo o qual quem não anuncia se esconde. E esconde não só a empresa como tudo aquilo que tenha para passar às mãos ou aos estômagos da milenar camada de consumidores. Num poema escrito por Carl Sandbury, cerca de 50 anos atrás, uma criança pergunta: Papai, a Lua faz propaganda de quê? Olhem que se o garoto ainda estiver vivo poderá, esperando mais um pouquinho, ter pessoalmente a resposta, testemunhando com os próprios olhos o que o satélite poderá vir a divulgar e induzir toda a população terráquea a comprar a preço de pechincha... Mais ainda: terá para ver - e admirar? - novelas com cenas eróticas, sexos ardentes e beijos lascivos, pois, considerando-se que a propaganda se constitui em uma das mais influentes forças socializantes da cultura ela não comercializa somente produtos. Vende, igualmente, imagens, valores e tudo o mais quanto se pense... É a nossa opinião.

(*) O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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