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CDHU vai até mutuários da região

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A companhia treinou uma equipe de 18 funcionários para renegociar dívidas com mutuários inadimplentes

A Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) irá renegociar, a partir de segunda-feira, a dívida de aproximadamente 100 mil mutuários, que estão com as prestações da casa própria atrasadas.

A companhia resolveu inovar e, desta vez, é ela que vai atrás dos mutuários. O escritório regional de Bauru receberá três peruas. Os veículos devem chegar hoje, vindos de São Paulo. Os funcionários da companhia estarão visitando praticamente todas as cidades da região que possuem núcleos habitacionais financiados pela CDHU. A intenção é facilitar o acesso dos inadimplentes e, de quebra, garantir uma arrecadação maior das parcelas atrasadas. A companhia considera inadimplente o mutuário com três prestações, ou mais, em atraso.

Em cada perua deve viajar uma equipe de seis pessoas, composta por três técnicos, um supervisor, um auxiliar administrativo e um coordenador. Todos passaram por treinamento, durante essa semana. Os funcionários vão se instalar em um ponto fixo da cidade, e lá devem receber os mutuários (ver local e data abaixo). O atendimento será sempre das 14 às 20 horas. A permanência do grupo em cada município irá depender do número de mutuários inadimplentes da CDHU que a cidade possui. Na região, Bocaina será o local onde os funcionários da companhia irão ficar por mais tempo: serão seis dias seguidos.

Cada perua estará equipada com um microcomputador, impressora, mesas, cadeiras, fichas cadastrais, telefone e muitos outros materiais. Entre as medidas que serão tomadas pelos funcionários estão a revisão das prestações, a transferência de contratos e a exclusão de co-participantes na renda familiar. Os mutuários desempregados terão um atendimento especial, segundo a companhia. Eles terão o pagamento das prestações suspensos por seis meses. Caso continuem desempregados, pouco antes de vencer esse prazo, eles deverão entrar em contato novamente com a CDHU, para um possível prolongamento da suspensão. Se voltar a trabalhar, o mutuário, da mesma forma, deverá comunicar a companhia.

Para contar com o benefício oferecido aos desempregados, o titular deverá apresentar carteira de trabalho, seguro desemprego e declaração comprovando a perda de emprego, assinada pelo declarante e por duas testemunhas. A declaração precisa ter firma reconhecida.

Adequação

Todos os mutuários, com prestação em atraso terão a oportunidade de refinanciar as respectivas dívidas com a companhia. O valor das prestações será adequado à atual renda mensal da família.

De acordo com o gerente regional da companhia, Élio Busch, a inadimplência normalmente acontece em três casos: desemprego, doença e separação de casais. O titular do imóvel deve comparecer, pessoalmente, nos locais onde estarão os funcionários da CDHU, levando a carteira profissional, os três últimos holerites e comprovação de renda familiar. Em caso de aposentadoria, o titular deve levar também o cartão magnético, carta de concessão ou extrato bancário do benefício.

De acordo com Busch, a renegociação não incluirá juros sobre o montante devido. Também não haverá a necessidade de pagar a primeira prestação no ato da renegociação. Outra mudança que o gerente regional fez questão de ressaltar é quanto à data de pagamento das prestações. Agora, o mutuário poderá escolher o melhor dia para efetuar o pagamento. Antes, o vencimento das parcelas ocorria sempre no dia 10 de cada mês. O índice de inadimplência, dentro da CDHU, gira em torno de 40% do total de mutuários, estimado em 245 mil. Isso representaria, segundo a companhia, R$ 6 milhões a menos todos os meses.

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