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Proposta provoca reação de entidades

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Antes mesmo de ser oficializada, a intenção do arquiteto José Xaides de socializar Zona Sul encontra resistências

O projeto do arquiteto José Xaides por socializar a Zona Sul da cidade já encontra resistências em diversos segmentos organizados do Município antes mesmo de ser debatido com mais profundidade nos Conselhos Municipais de Desenvolvimento Urbano (Condurb) e de Meio Ambiente (Condema). Alguns segmentos acreditam que é mais viável a expansão do perímetro urbano do que o aproveitamento dos chamados vazios urbanos, grandes áreas localizadas dentro da cidade, rodeada de toda infra-estrutura.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho, desaprova a proposta do arquiteto. A realidade da cidade é completamente diferente desse socialismo que ele (Xaides) está apregoando, diz. Ele chama a atenção para o fato de os empresários terem adquiridos áreas ou lotes na Zona Sul da cidade prevendo negociá-los no futuro. É uma maneira de você se capitalizar para garantir algum projeto para o futuro.

Carvalho acredita que quando os empresários adquiriram os lotes jamais imaginaram que essas áreas poderiam, no futuro, abrigar núcleos habitacionais.

Os vizinhos dessa área também compraram seus terrenos e construíram seus imóveis para não morar ao lado de residências de baixo poder aquisitivo. O pessoal procura ter uma igualdade dentro do seu nível de moradia. Quem mora no Altos da Cidade tem um padrão de vida, quem mora em condomínios fechados tem outro e quem mora na periferia também tem outro padrão de vida.

O presidente da Acib prevê que se o projeto de Xaides for aprovado pelos conselhos e pela Prefeitura, com certeza, vai provocar conflitos sociais. Isso não vai trazer benefício nenhum para a cidade, muito menos financeiramente. Sou completamente contra o projeto. Isso é um absurdo. É um sonho. A realidade econômica é outra.

Carvalho também questiona o poder do Conselho Municipal de Meio Ambiente que, recentemente, deixou de ser um órgão consultivo e foi transformado em deliberativo. Acho que a sociedade poderá se inflamar contra esse órgão se esse projeto persistir. Ainda não sei como esse projeto vai sair. Apesar de ser um órgão deliberativo, nós temos a nossa Câmara Municipal que poderá ser acionada, se necessário.

Dificuldades

Além da resistência natural ao projeto apresentado pelo arquiteto, algumas entidades que participam do Condurb apontam dificuldades para ocupar os chamados vazios urbanos da cidade, dentre os quais as áreas da Zona Sul.

O presidente da Associação dos Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), Fernando Pegorin, explica que a maioria das áreas classificadas como vazios urbanos está nas mãos de investidores não dispostos a comercializá-las. Eles não vendem essas áreas por preço nenhum.

Segundo Pegorin, boa parte das glebas têm problemas de documentação. Isso a curto prazo não será resolvido. Na opinião dele, o Município não tem necessidade, neste momento, de mexer nos vazios urbanos. Acho que o Xaides não conhece as particularidades de cada área. A Prefeitura precisa tomar a iniciativa de colocar infra-estrutura nos loteamentos que estão desprovidos de pavimentação e outras benfeitorias. Eles representam 44% do Município.

Discussão centralizada

A mesma opinião tem o diretor regional do Centro da Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), engenheiro José Luiz Miranda Simonelli. Para ele, a discussão dos conselhos está muito centralizada nos vazios urbanos.

Não há para onde fugir. O Município terá que assumir o custo para colocar a infra-estrutura nesses loteamentos. Não adianta querer punir hoje quem quer investir corretamente devido a questões mal-administradas no passado. Tem que se avaliar, primeiro, sob que ótica podem ser chamados os vazios urbanos. Vejo que o principal motivo é a infra-estrutura.

Simonelli acha um erro centralizar as discussões nos vazios urbanos. Temos que mexer no zoneamento como um todo. Estamos perdendo tempo ao invés de discutir questões mais amplas. É preciso dar uma nova diretriz ao conselho. O diretor do Ciesp criticou a formação do Condema, que não tem a participação do setor produtivo.

A crítica que eu tenho ao Condema não é em relação a sua atuação. É uma crítica à composição atual, já modificada. A discussão tem que ser mais democrática. Tem que envolver todos os setores.

Já o diretor-adjunto do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Norberto Souza Santos, alerta a Administração Municipal, que tem resistido em ampliar a área do perímetro urbano. Se evitarmos o crescimento do perímetro urbano, vamos aumentar a ocupação da bacia de contribuição do rio Bauru. Aumentando a ocupação, se começa a impermeabilizar terreno, com mais água correndo para o rio Bauru.

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