Entrevistados pelo JC afirmaram que preferem visitar e se dedicar a entes queridos vivos a fazer homenagens póstumas
O JC foi às ruas para saber o que os bauruenses acham das visitas ao cemitério. Boa parte dos entrevistados confessou não ter o costume de fazer homenagens póstumas. É o caso de Valci Nogueira Martins, de 56 anos. Se morrer, morreu, resumiu, convicto de que as visitas estão cada vez mais resumindo-se ao Dia de Finados.
As justificativas para o reduzido número de visitas são diversas. Alguns alegam medo. Outros acreditam, a exemplo de Maria Helena Germano Monteiro, que a importância maior está em visitar as pessoas queridas enquanto elas estão vivas. Eu acho mais importante zelar por aqueles que estão vivos. Quando alguém morre, as pessoas vão para o cemitério chorar por aquilo que deixaram de fazer, compartilha Berenisa da Silveira, de 42 anos.
Ainda assim, alguns entrevistados garantiram que vão ao cemitério no mínimo uma vez ao mês, como Zilda Fortunato, de 54 anos, e Cecília Tristante, de 58 anos. Confira outros depoimentos no quadro ao lado.
Fala-povo: Você vai ao cemitério?
Vou uma vez por mês, mas minha família só vai ao cemitério no Dia de Finados, Dulcinéia Regina Magron da Silva, 27 anos.
Vou uma vez por ano, no Dia de Finados, Luiz Antônio Marcuci, 45 anos.
Muito difícil. Vou uma vez por ano ou nem isso. É um lugar muito triste e o pessoal mais novo quase não vai, Iva Ferreira Rezende, 31 anos.
Tenho muitos parentes enterrados, mas não vou ao cemitério. Morreu, já era. Temos que visitar as pessoas enquanto estão vivas. Depois que morre, não tem mais sentido. É perda de tempo, Lucas Araújo Miranda, 17 anos.
Vou, no mínimo, uma vez por mês. Meus filhos também vão, mas eu acho que muita gente está deixando de ir. É uma falta de consideração com a pessoa que já se foi, Cecília Tristante, 58 anos.
Tenho muitos parentes enterrados e vou ao cemitério, mas meus filhos não me acompanham. Os jovens não estão ligando para isso, Alcides Ticianelli, 77 anos.
Dificilmente eu vou. Minha mãe morreu, mas não tenho o costume de visitar o túmulo, Agnes de Paula, 22 anos.
Nunca vou. Não é que a gente deixa de zelar pelas pessoas, mas temos que lembrar delas enquanto estão vivas, Berenisa da Silveira, 42 anos.
Eu não vou porque tenho medo, mas as pessoas não têm mais é vontade de ir ao cemitério, Anderson dos Santos, de 18 anos.
Não vou porque não sou muito chegado em mortos. Não tenho interesse, Evandro Luiz Cardoso, 24 anos.
Eu nunca vou ao cemitério. Quem vai são as pessoas mais idosas. Os costumes mudaram, Valci Nogueira Martins, 56 anos.
É muito raro eu ir ao cemitério, apesar de ter um filho enterrado no São Benedito. Sou evangélico e nós não costumamos ir, Valdomiro Gerônimo dos Santos, 37 anos.
Eu vou ao cemitério mais em Dia de Finados. As pessoas acabam esquecendo os entes queridos, Edna Frigo, 29 anos
Vou uma vez por mês. Os jovens não vão porque estão ligados em outras coisas, Zilda Fortunato, 54 anos.
Quase nunca vou. Esse costume está sendo esquecido, Marcos Fávaro, 24 anos.