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Sarney Filho quer investimentos logo

(*) Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O ministro do Meio Ambiente diz que o Brasil faz seu dever de casa, mas reconhece que é pouco; ele quer resultados

O Brasil ainda não tem uma proposta fechada para levar à Rio+10, mas o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, afirma que o governo vai cobrar da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável a aplicação de projetos práticos, que viabilizem resultados a curto prazo, voltados para a preservação do meio ambiente.

Para o ministro, o encontro da Rio-92 teve muitos méritos. O maior deles, sem dúvida, foi ter colocado a questão do desenvolvimento sustentável como um novo paradoxo do desenvolvimento. Modificou toda uma linguagem, centralizou a questão ambiental como uma questão mundial, avaliou. Mas ele acrescenta que, por outro lado, alguns dos compromissos assumidos não foram cumpridos.

Principalmente no que diz respeito à ajuda econômica dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento. Houve uma proposta inicial naquela época aprovada de que 0,7% do PIB dos países mais ricos seriam investidos no desenvolvimento sustentável, numa nova política mundial de meio ambiente, lembrou.

Sarney Filho, no entanto, disse que isso está longe de ocorrer. O que se viu é que a questão ambiental, na trativa de dívidas, de desenvolvimento de mercado, com esse consenso de Washington, ela não teve o reconhecimento por parte desses organismos que deveria ter.

Ele explicou que não houve nenhuma negociação no que diz respeito a diferenciais ambientais. É verdade que nós não podemos renegar a Eco-92, mas devemos fazer propostas mais concretas, de mais curta aplicação, cobrou.

Investimentos

O ministro assegurou à imprensa que todos os investimentos externos previstos no Brasil pelos países desenvolvidos não chegam, em três anos, a US$ 120 milhões. Esse dinheiro está sendo aplicado em novos sistemas de monitoramento de queimadas, em criação de parques, em projetos de desenvolvimento piloto, enfim, ecoturismo, extrativismo. Esse dinheiro é muito pouco em relação aquilo que nós precisamos e em relação aquilo que foi prometido.

Sarney Filho comentou que o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG7), a princípio, teria US$ 340 milhões para investir em quatro anos no País. Até agora não foi internalizado mais do que US$ 60 milhões. Eu acho que se aquilo que foi proposto já fosse internalizado seria uma grande ajuda. Mas eu acho que nós precisamos muito mais do que isso.

Ele garantiu que mesmo sem o apoio dos recursos externos o Brasil está fazendo o seu dever de casa. O Brasil, na área ambiental, tem feito tudo aquilo que pode se esperar de uma país dessas dimensões e com essas dificuldades. Eu não quero dizer que nossos problemas ambientais acabaram. Eles existem e, talvez, em alguns aspectos sejam até mais graves do que antes. Mas há um claro entendimento de que nós estamos enfrentando eles com transparência, com participação e oferecendo alternativas.

Bancada ruralista

Sarney Filho citou que a briga com a bancada ruralista do Congresso Nacional. É uma briga por concepção. É uma briga por dizer assim: a Amazônia não deve ser destinada a ser uma fronteira agrícola a ser explorada. Ela deve ser destinada a ser um novo modelo de desenvolvimento, que busque a exploração sustentável das nossas riquezas florestais, ambientais.

O ministro destacou que seu ministério investe cada vez mais na criação de Florestas Nacionais (Flonas) para fornecer madeira e, ao mesmo tempo, incentivar o ecoturismo. Acreditamos que o caminho para a sustentabilidade passa por um modelo que incorpore as nossas riquezas ambientais em prol de uma melhoria da condição social do povo.

Ele avalia que o que tem acontecido hoje é que o modelo tradicional adotado tem gerado uma alta concentração ambiental. O modelo é concentrador de renda e é altamente degradador do meio ambiente. Já está provado que esse modelo de desenvolvimento sustentável incorpora distribuição de renda muito maior.

(*)Enviado especial ao Rio

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