Pirajuí - Os 50 funcionários da Santa Casa de Pirajuí voltam a trabalhar em ritmo normal a hoje. Eles iniciaram uma greve parcial no último dia 18, protestando contra uma súbita mudança na jornada de trabalho imposta pelo provedor da instituição. O impasse só foi resolvido ontem - 12 dias depois -, durante uma reunião entre representantes dos trabalhadores e da direção do hospital, mediada pela Procuradoria Regional do Trabalho.
A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos e Serviços de Saúde de Bauru e região, Marilsa Sales Braga, lembra que a greve foi motivada por uma decisão do provedor Euclides Ferraz de Camargo em passar todos os funcionários para uma jornada diária de seis horas de trabalho. Desde 1987, eles trabalhavam no esquema 12x36, quer dizer, eles trabalham 12 horas seguidas e folgam nas 36 horas seguintes. De repente, o provedor passou todos para seis horas diárias, prejudicando, principalmente, aqueles que têm mais de um emprego ou que estudam, ressalta.
Sem conseguir um acordo, 70% dos funcionários da enfermagem interromperam suas atividades, reivindicando a revisão da medida. Na última sexta-feira, foi realizada uma mesa redonda na subdelegacia do Ministério do Trabalho de Bauru, sem resultados. As partes envolvidas só chegaram a um acordo ontem, após quatro horas de negociação intermediada pelo procurador do Trabalho, Mário Antônio Gomes, em Campinas.
De acordo com Braga, ficou decidido que os trabalhadores do período noturno voltam a trabalhar no esquema 12x36. Os que trabalham durante o dia mantém a jornada de 6 horas diárias, com uma folga semanal. No caso dos apoiadores, serão sete horas diárias com uma folga semanal. Todos eles terão estabilidade no emprego nos próximos 75 dias.
A empresa se comprometeu a pagar um curso universitário de enfermagem para aqueles que são apenas técnicos. E também tem um prazo de cinco dias para contratar mais seis auxiliares, já que, atualmente, os funcionários da Santa Casa estão sobrecarregados, observa Braga.
Em contrapartida, cada funcionário terá dez dias de trabalho descontados do salário para compensar o tempo de paralisação. O desconto será distribuído em cinco meses (dois dias por mês). Representantes dos trabalhadores e do provedor da instituição deverão fazer uma nova reunião junto à Procuradoria Regional do Trabalho daqui a 120 dias para informar se o acordo está sendo cumprido.
No início da greve, os funcionários também pediam a retomada da negociações do dissídio. Eles reivindicam aumento de 33%, referente às perdas acumuladas desde 1997. Questionada sobre isso, Braga informa que o provedor garantiu que vai agendar uma reunião para discutir o assunto. Euclides Camargo foi procurado para comentar o assunto, mas não foi localizado pela reportagem.