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Recessão pode durar menos de um ano

Ude Valentini
| Tempo de leitura: 4 min

O ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros disse que retomada no crescimento deve ocorrer no último trimestre de 2002.

Jornal de Piracicaba / especial para o Jornal da Cidade

Apesar da recessão que o País atravessa devido à grande desaceleração na economia, ela não deve durar mais que um ano. Essa é a previsão de Luiz Carlos Mendonça de Barros, que foi ministro das Comunicações de abril a dezembro de 1998, no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ele esteve em Piracicaba no início da semana para o encerramento da reunião da Associação Paulista de Jornais (APJ), que aconteceu nas dependências do Jornal de Piracicaba. Cerca de 20 diretores de jornais participaram do encontro.

Mendonça de Barros afirmou que o Brasil cresceu nesse primeiro semestre algo em torno de 5% a 6% e deve chegar no final do ano com crescimento zero.

No primeiro semestre do ano que vem, o crescimento será negativo de cerca de 1%, mas com uma recuperação muito forte no segundo semestre. Eu acredito que possamos chegar no final de 2002 crescendo uma taxa anual de 4% a 5% novamente, prevê.

Ao contrário do que muitos apregoam, os atentados nos Estados Unidos não tiveram um peso significativo na desaceleração da economia e sim a crise argentina.

A crise na Argentina colocou um problema sério para a entrada de recursos no Brasil e, além dela, a crise energética que acabou obrigando a indústria a se adaptar a uma situação desconhecida, explicou.

Otimista, Mendonça de Barros acredita que a questão da Argentina vai estar resolvida no primeiro semestre do ano que vem.

As chuvas voltam agora e a energia deve estar mais estabilizada. Acredita-se ainda que a economia americana volte a crescer no segundo semestre do ano que vem. Logo, eu acho bastante viável esse cenário do Brasil retomar o crescimento que estava tendo no primeiro semestre de 2001 para o último trimestre de 2002, concluiu.

Além de ministro das Comunicações, Mendonça de Barros foi diretor do Banco Central entre 1985 e 1987 e presidente do Banco Nacional de desenvolvimento Social (BNDES) em 1995. Criou e coordena as empresas de educação à distância MBG Associados e E-Learning Dealer. O ex-ministro fez um breve apanhado das principais questões nacionais.

Crise energética

Eu acredito que depois do susto que o governo passou com os apagões e as restrições de oferta, o ano que vem será importante. Ele (governo) tem uma lição de casa importante para fazer que é a reestruturação do setor elétrico. Mas existem saídas - como a co-geração através do bagaço de cana - e Piracicaba tem uma grande importância por fazer parte de uma zona canavieira.

Agricultura

A agricultura brasileira não está incluída nos números apresentados relativos a recessão. Ela vai crescer 4% esse ano e outros 4% no ano que vem pois a recessão é basicamente na indústria e na área de serviços. A região de Piracicaba está um pouco defendida nessa questão porque o crescimento na área agropecuária vai ser grande.

Sucessão presidencial

Ainda não dá para saber qual será o desfecho sobre quem será o nome do PSDB para a sucessão de Fernando Henrique, se José Serra ou Tasso Jereissati. Felizmente os dois são bons candidatos e acredito que serão necessários ainda uns 60 dias para que o partido e o governo vejam qual dos dois nomes vai prevalecer. Mas qualquer um dos dois será um forte candidato para enfrentar Luis Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições do ano que vem.

Comunicações

O ministro Sérgio Motta tinha um projeto ambicioso para a área, de modernização e abertura do setor mas preservando um controle social porque esse é um setor que tem particularidades. Infelizmente, com a morte do ministro (Sérgio Motta), o novo ministro Pimenta da Veiga retomou o projeto com cores diferentes. Eu particularmente acho o projeto anterior muito mais audacioso, mais voltado para o futuro. Esse ministro (Pimenta da Veiga) está mais voltado a reconstruir a utilização de concessão de licença para veículos de comunicação. Acho que ele poderia ser diferente, aumentar a concorrência, não permitir estabelecimento de monopólios - sejam nacionais ou regionais - e fazer com que a concessão fique fora do governo. O projeto do Sérgio Motta era jogar isso dentro da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), um órgão que não é ligado diretamente ao governo federal. Eu acho que acabamos voltando atrás.

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