Geral

Empresa busca talentos na faculdade

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 3 min

Em qualquer carreira universitária, é comum que no último ano do curso os alunos estejam preocupados com a entrada no mercado de trabalho. Algumas empresas, porém, invertem o processo e, ao invés de esperar por currículos e pedidos de emprego, vão até as universidades em busca de talentos. O procedimento oferece algumas vantagens, como a possibilidade de encontrar um futuro profissional de grande potencial e sem vícios antes de qualquer concorrente.

A Opus, uma empresa da área de tecnologia da informação que trabalha com desenvolvimentos de software, segue essa filosofia. Na última quarta-feira, representantes da empresa estiveram no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), para realizar uma palestra e aplicar testes de processo seletivo para alunos do último ano dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação.

É a segunda vez que a Opus realiza as provas para estudantes locais. No ano passado, 15 alunos dos dois cursos foram selecionados para um treinamento na sede da empresa, em São Paulo.

A experiência de fazer um recrutamento de talentos direto na faculdade já é realizada pela empresa há sete anos em diversas instituições de ensino superior do Estado, entre elas a Universidade de São Paulo (USP), Unicamp, Fatec e Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), além da Unesp. De acordo com Roberto Giacometti, gerente técnico e coordenador de recrutamento da Opus, a escolha das universidades é feita pela qualidade dos cursos. Os alunos de Bauru desses dois cursos têm um bom nível, por isso voltamos para cá esse ano, explica.

O processo de seleção da Opus consiste na visita de um representante à faculdade, na qual é realizada uma palestra sobre a empresa e em seguida são aplicados testes técnicos e psicológicos para os alunos formandos dos cursos de Ciência da Computação e Sistemas de Informação. Segundo Giacometti, anualmente, cerca de 20 estudantes recém-saídos da faculdade são contratados para estágios na empresa. Desse total, 90% são efetivados.

Vantagem

Na opinião do gerente técnico da Opus, os alunos selecionados ainda na universidade possuem um potencial muito alto, o que para a empresa, em princípio, é mais vantajoso do que conhecimento técnico. Uma vez que o estudante tem um bom potencial, ele é capaz de aprender. E nós podemos lhe dar o conhecimento tecnológico específico depois porque nós temos know-how em treinamento, explica Giacometti.

Outra vantagem, segundo o gerente técnico, é que os alunos escolhidos ainda não possuem vícios de empregos anteriores. Muitas empresas não desenvolvem o profissional da forma correta e quando ele chega até nós já está cheio de costumes, justifica. Para Giacometti, a presença de novos profissionais na empresa a cada ano é fundamental para o resultado do seu trabalho, por isso o processo de recrutamento deve continuar nos próximos anos. Para gente significa a nossa sobrevivência, define.

Estudantes apoiam

Os estudantes do curso de Sistemas de Informação que responderam aos testes de seleção aplicados pela Opus consideraram as questões razoavelmente difíceis e não demonstraram muito otimismo com relação aos resultados. Apesar disso, acreditam que a iniciativa da empresa é positiva, pois, além da possibilidade de contratação, reflete a qualidade da faculdade que eles estão cursando.

Para Mário Augusto Cardia, o primeiro aluno a entregar o teste, a procura por estudantes que ainda estão na faculdade é vantajosa porque pode garantir um emprego imediato após o término do curso. Segundo o estudante, esse tipo de procedimento também reflete a situação do mercado de trabalho na área. Não existem muitos profissionais, por isso eles vêm buscar o aluno na faculdade, diz. Magdiel Linares Gasparini enxerga a visita da empresa como um sinal de qualidade da faculdade.

O curso está tendo um reconhecimento no mercado, explica. Para Gasparini, que já está empregado em Bauru, o teste serviu como uma experiência. Não sei de deixaria meu emprego aqui, confessa. Simone Doro Laborda também já trabalha numa boa empresa local, mas revela que analisaria uma proposta se fosse chamada. No geral, a estudante considerou a presença da empresa uma boa oportunidade para saber o que mercado está oferecendo.

Comentários

Comentários