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Mulheres consolidam lugar no pódio

Redação
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A hegemonia masculina histórica do esporte de Bauru vem sendo quebrada ano a ano. Resultado dos Jogos Abertos é prova

Resistência, força e muita técnica estão fazendo atletas bauruenses mulheres quebrar a tradicional hegemonia do sexo masculino na história esportiva local. Os resultados dos Jogos Abertos de São José do Rio Preto mostraram que as esportistas estão ano após ano obtendo maior destaque nas competições.

As medalhas trazidas pelas atletas de Bauru não foram poucas. O ouro foi alcançado pela equipe de handebol. O judô ganhou uma medalha de prata, com Adriana Hirt Pereira, assim como a natação, cujas três principais colocações ficaram com Michelly Cortez Molina e Flávia Souza. O judô trouxe, ainda, uma medalha de bronze, conquistada por Natália César. A nadadora Flávia de Souza também levou o bronze, assim como a equipe de basquete das meninas de Bauru.

Além das medalhas, muitas equipes femininas e atletas individuais conquistaram pontuação, elevando o nome da cidade no judô, tênis de campo e de mesa, xadrez, basquete, handebol, vôlei e natação.

As meninas, a exemplo dos garotos, também passam por treinos intensos para alcançar os resultados desejados. Os exercícios costumam ser diários e, devido à falta de tempo, muitas vezes são realizados durante a madrugada. Ketili Francine Bérgamo, da equipe do handebol, alterna diariamente, inclusive aos sábados, horários de trabalho com treinos. Aos domingos, o time sempre tem agenda comprometida com competições ou amistosos.

A jogadora afirma que cuida das seis alimentações diárias para manter o peso, fator importante no desempenho em quadra. Um quilo a mais pode atrapalhar muito durante o jogo. A gente se cansa mais rápido, justificou. De acordo com Ketili, a maior fragilidade da mulher quanto à força, se comparada aos homens, é compensada com os treinos puxados.

O treinador da equipe de handebol, Joel Leo Avoleta, conta que prefere trabalhar com equipes femininas porque as atletas buscam o aperfeiçoamento constante. É mais fácil dialogar com elas, que trocam a qualidade força dos homens pela superação, afirmou.

A maior dificuldade no trabalho com as atletas, de acordo com Leo, é o ciclo menstrual, que rende cólicas e cansaços indesejados. O rendimento é menor do que quando estão fora do ciclo menstrual, observou.

A psicóloga Marcela Veloza acredita que as alterações metabólicas das meninas, principalmente na fase da puberdade, são os maiores problemas das atletas, especialmente das nadadoras. Quando elas começam a aumentar quadril e seio, mudam a resistência na água. Muitas vezes, elas pioram o tempo na natação e começam a se desmotivar, expôs.

O técnico da equipe de handebol aponta outra peculiaridade das atletas: a sensibilidade aguçada, o que as faz mais emotivas que os homens. Tem que ter jeito para falar com elas. Quando perdem o jogo, choram. Quando ganham, choram mais ainda, enfatizou.

A atleta Adriana Hirt Pereira, que pratica judô e conquistou uma medalha de prata nos Jogos Abertos de São José do Rio Preto, também destacou a sensibilidade como marca das atletas. As mulheres são mais sensíveis que os homens. Talvez isso dificulte um pouco para o técnico, acredita.

Em especial no judô, Adriana salienta a superação do preconceito predominante há alguns anos em relação às mulheres praticantes da modalidade. Antes, as mulheres que praticavam esportes de homens sofriam preconceito e eram mal vistas, frisou.

André Barbosa, responsável pelo treinamento das nadadoras de Bauru, acredita que as mulheres estão gradativamente conquistando espaço nos esportes, principalmente na natação, modalidade em que normalmente se sobressaem homens. De acordo com ele, a principal dificuldade que os treinadores encontram em relação às mulheres, particularmente na natação, é a preocupação das garotas em não perder a feminilidade do corpo, pois o esporte acaba cultivando ombros largos e corpo muito forte.

Os exercícios passados a atletas mulheres e homens são os mesmos. É claro que, na musculação, elas não vão erguer o mesmo peso que os meninos. Mas elas fazem trabalho físico forte, salientou. As nadadoras de Bauru treinam de segunda a sábado e, dependendo dos dias, até mesmo no período da madrugada. A média de treino diário é de seis a oito mil metros.

Michelly, de 17 anos, que treina desde os 12 e trouxe dos Jogos Abertos duas medalhas de prata, segue o ritmo intenso de treinamento. É bom ficar forte, ter músculos e agilidade, no geral. O único medo é ficar desproporcional e perder a feminilidade, confessou, destacando a atuação das mulheres nas atividades esportivas. A cada ano que passa, a natação feminina cresce muito. Eu não tenho dúvida de que isso esteja ocorrendo no esporte como um todo.

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