Concorridíssimo em sua passagem pela I Feira do Livro de Bauru, ontem, o escritor, ex-presidente da Academia Paulista de Letras e da Câmara Brasileira do Livro (CBL) Francisco Marins veio para divulgar seu mais recente livro de contos, O Curandeiro dos Olhos em Gaze e Outros Recontos (Ed. Escrituras). Natural de Pratânia, município próximo a Botucatu (SP), Marins é conhecio por sua série A Saga do Café uma trilogia em que aborda, inclusive, os primórdios de Bauru e por suas obras infanto-juvenis: a Coleção Taquara-Póca e Roteiro dos Martírios. Um dos autores mais lidos do Brasil, já vendeu três milhões de exemplares e teve suas obras traduzidas para 15 línguas. Também é o único autor brasileiro a figurar na célebre Coleção Delphin, reservada, na Europa, aos mais famosos clássicos juvenis da literatura.
Aos 78 anos, ele explica o sucesso de seus livros entre o público juvenil. O leitor jovem ainda está motivado pela escola e pelos pais para ler, isso justifica o sucesso como autor de livros para esse público. Só para você ter uma idéia, eu tenho um livro chamado Aldeia Sagrada que tem 34 edições e vendeu mais de 600 mil no Brasil. Eu pergunto, qual o escritor no Brasil, mesmo famosos, que vendem de um livro 600 mil exemplares?
O escritor defende a riqueza da cultura literária paulista. Em São Paulo tem coisas muito boas. O que aconteceu com a literatura foi que se deu muito prestígio à literatura nordestina. E a grande literatura de São Paulo ficou para trás.
O sotaque paulista nos livros, bastante presente em sua obra, é apontado pelo escritor também no trabalho de outros autores de São Paulo. Assim diz Marins numa entrevista transcrita no apêndice do livro O Curandeiro..., quando perguntado sobre quais escritores mereceriam sua preferência: Afora os dois clássicos da língua Machado de Assis e Eça de Queirós -, tenho especial admiração pelos que perfilharam temas regionais e deram contribuição para incorporar o vocabulário e expressões da língua popular à corrente do vernáculo, enriquecendo-o, Antônio de Alcântara Machado, Afonso Arinos, Amadeu de Queiroz, Aníbal Machado, Hugo de Carvalho Ramos, Simões Lopes Neto, Leo Vaz, para só me referir aos saudosos.
Marins foi colega de Lygia Fagundes Telles na faculdade de Direito, na São Francisco, em São Paulo, nos anos 40. Mais tarde, já no final dos anos 60, realizava o embrião das feiras literárias no Brasil, levando para o lendário Viaduto do Chá obras importantes para tomar contato com o público.
Reunimos uns 30 editores e montamos barracas para vender livros para o povo. Precisávamos incentivar a leitura. Uma vez um grande crítico da época disse que, em São Paulo, as pessoas só entravam nas livrarias para se esconderem da chuva, recorda.