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Lygia: mais escolas, menos presídios

Ricardo Polettini
| Tempo de leitura: 3 min

O segundo e bastante movimentado - dia da I Feira do Livro de Bauru, ontem, trouxe à cidade uma das principais autoras da vasta programação do evento, a escritora Lygia Fagundes Telles. Ela foi a personalidade do espaço Salão de Idéias, destinado ao bate-papo com o público.

Antes da sua fala, a escritora Lygia Fagundes Telles concedeu uma entrevista ao Jornal da Cidade e à TV USC, na Cobertura Completa da Feira do Livro.

O programa vai ao ar diariamente, no Canal Universitário (NET canal 14), em forma de especiais, às 9 horas, 15 horas e 23h20. Outros cinco horários terão programas com informações gerais sobre o evento: às 11h30, 13h30, 18 hores, 20 horas e 21h50. A entrevista com Lygia Fagundes Telles vai ao ar nesta terça-feira. Hoje (segunda), o programa aborda a abertura da Feira e suas atrações.

Simpática e bastante satisfeita em participar da Feira, Lygia lembrou sua infância interiorana, que passou por diversas cidades paulistas, em virtude do trabalho do pai, promotor público.

Vivi sempre em meio à natureza, aos bichos e cachorros. Comecei a escrever sem saber escrever, brinca, lembrando as histórias que contava ainda garota, inspirada nos causos. Falava da Mula-sem-cabeça e de várias outras histórias, disse.

A vontade e vocação como Lygia define o ímpeto de escrever livros logo surtiram frutos. Aos 15 anos de idade, publicou a coletânea de contos Porão e Sobrado. Passou por diversas publicações até chegar no romance As Meninas, de 1973, talvez seu livro mais famoso.

Lygia publicou, ao todo, 20 livros, sendo o mais recente Invenção e Memória, vencedor do prêmio Jabuti 2001, na categoria Ficção.

Ela admitiu que sua infância foi primordial para a formação de escritora e foi enfática ao ressaltar o valor da educação para despertar nas crianças o interesse pela leitura. Eu sempre digo, quanto mais escolas tivermos, menos hospitais precisarão ser construídos. E repito, quanto mais creches e escolas tivermos, serão necessários menos presídios, afirmou, dando traços de sua já conhecida preocupação social.

Membro da Academia Brasileira de Letras, a escritora considera a literatura uma atividade fundamental na formação cultural do cidadão. Fico muito feliz de participar de uma feira como essa e saber que estou dando minha contribuição como escritora. É o que eu posso fazer, completou.

Nesta segunda-feira, o Salão de Idéias terá a participação do escritor Cáudio Picazio, autor e Sexo Secreto, entre outros. Ele debaterá o tema Juventude e Preconceito.

Festa

Depois de Lygia Fagundes Telles, quem conversou com a reportagem do Jornal da Cidade e TV USC foram os pesquisadores István Jancsó, da Universidade de São Paulo (USP) e Iris Kantor, da Escola de Sociologia e Política (ESP), organizadores dos dois grandes volumes de Festa Cultura e Sociabilidade na América Portuguesa (Hucitec, Edusp, Fapesp e Imprensa Oficial). O trabalho é fruto de um seminário internacional de seis dias, organizado há dois anos na USP.

O livro, além da vasta documentação, traz 26 músicas em CD, gravado por grupos que se dedicam à pesquisa histórica. O disco abrange o período que vai do século 13 às práticas afro-americanas no Brasil do século 18. Apesar de falar em festa, o objeto de estudo dos organizadores se propõe a mudar o modo como o brasileiro se vê, muitas vezes com uma visão entrangeira.

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