No momento em que o mundo, preocupado, sente a presença de algo que temos anunciado desde há cerca de quatro anos, o declínio do formato civilizacional a que temos pertencido até agora, no clima de terrorismo e de guerra ostensivos de que se tem ocupado a mídia internacional, há um outro tipo de terrorismo que, terrivelmente presente, não é caracterizado como tal.
Trata-se da aids a cuja propagação devem-se a esta altura já muitos milhões de vidas humanas e cujo combate, inclusive oficial, levado a cabo com verbas públicas, oculta a sua verdadeira causa e pretende reduzir os seus efeitos por intermédio de propaganda manifestamente enganosa. O leitor, certamente, já tomou conhecimento do slogan faça sexo seguro, use camisinha. Pois bem: comprovadamente, não existe nenhum material capaz de garantir, 100% a não-contaminação durante contato sexual, de vez que o vírus mutante da aids extremamente diminuto, mesmo sem falar de defeitos de fabricação, consegue em vários casos, atravessar poros, sempre presentes, nos materiais utilizados na confecção do preservativo. Claro que o uso deste, sem dúvida, reduz de muito o risco da contaminação. Mas, que fique bem claro: não o elimina. A idéia de eliminação, embutida no slogan há pouco citado, constitui-se, portanto, em propaganda enganosa.
É que não se quer falar de decorrências do Direito natural e da moralidade religiosa que, impondo limitações, ainda que sublimadoras e enobrecedoras, contraria, disciplinando-os, não suprimindo-os, os apetites da carne. O mais desbragado hedonismo é que vem tendo cada vez mais a palavra e se tornando cada vez mais popular - mecanismo que torna as sociedades impotentes, incapazes de reagir contra os que as exploram e que são os mesmos que financiam e dão suporte de poder, às disposições que levam aos cada vez maiores desregramentos dos instintos. O fenômeno não é, absolutamente, novo mas, ao contrário, a História demonstra que o declínio de todas as civilizações que nos precederam, todas, sem exceção, sepultadas nos escombros conseqüentes aos seus próprios vícios e desregramentos.
Os atos de terrorismo recentemente levados a cabo nos EUA, é nossa opinião, longe de serem atribuíveis a extremistas externos, foram e continuam a ser praticados por minorias americanas, sobretudo compostas por ex-combatentes, apercebidas da contínua degradação da sociedade americana, por intermédio da aluição dos valores fundamentais sobre os quais ela se formou e se engrandeceu. Degradação por elas atribuídas, e não sem razão, pelos poderes simbolizados pelo World Trade Center e o poderio militar que eles têm conseguido, reiteradamente, colocar à sua disposição. Poderio cuja aplicação teria tido a participação, dentro da hipótese que estamos formulando, de nacionalistas que viram e vivenciaram aplicações que lhes mostraram as diferenças entre os pretextos alegados e as motivações reais que elas tinham. É preciso não esquecer o caso, ainda bastante recente, de Timothy Mc Veigh, herói de guerra dos EUA, três vezes condecorado na batalha do Golfo Pérsico e autor do terrível atentado de Ocklahoma, contra a sede do FBI.
Afinal, terrorismos como a propagação da Aids, também precisam ser combatidos, bem como as fontes de que eles se originam.