Até aqui, o mais boa praça dos escritores que passaram pela Feira do Livro de Bauru foi Pedro Bandeira. O autor do best-seller infanto-juvenil A Droga da Obediência, com 800 mil cópias vendidas, encarnou o showman anteontem, no bate-papo do Salão de Idéias.
Cerca de 200 pessoas, a maioria crianças, se acotovelaram para ver e ouvir o ídolo, que consegue incrível comunicação com os jovens. Detalhe: aos 59 anos.
Ator profissional e jornalista até os 40, ele começou escrevendo contos para revistas de adolescentes. A boa receptividade dos textos fez com que uma amiga desse a idéia de escrever um livro. Estava aí o seu caminho. Hoje é um dos poucos no Brasil que vive da literatura.
Distribuindo sorrisos e caretas para o batalhão de fãs que se formou, entre eles alguns adultos, Bandeira costurou opiniões sobre assuntos que estão sempre em seus livros, mesmo que nas entrelinhas: política, pedagogia e psicologia.
Terminado o bate-papo, foi paciente com os fãs, autografou e conversou, recebeu bilhetes. Mais: ficou uma hora e meia dando entrevista para a parceria da TV USC e o Jornal da Cidade. Depois, às 18 horas, contou que estava sem almoçar. Correu para o táxi e foi embora para São Paulo.
Deveria ter vindo de avião, mas, segundo contou, a Polícia Federal não permitiu seu embarque em Congonhas porque ele estava só com a cópia do RG. Me acharam com cara de terrorista árabe, brincou.
Romances de formação
Junto com Pedro Bandeira, a parceria TV USC e JC entrevistou o diretor-presidente da Editora da Unesp e presidente da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu), José Castilho Marques Neto. Os dois debateram a literatura sob o ponto de vista do mercado e do meio acadêmico.
Na entrevista-debate, Bandeira cobrou maior preocupação com a didática nos livros publicados pelas editoras das universidades. Ele classificou como herança francesa o hermetismo dos pesquisadores brasileiros.
O presidente da Editora da Unesp disse que hoje em dia os editores de livros universitários já têm a preocupação de atingir um público maior. Ele também comentou que este é um dos segmentos que mais cresce no mercado editorial brasileiro.
Comentando o papel da literatura infanto-juvenil, Bandeira disse que os livros voltados para os jovens cumprem um relevante papel de formação de leitores. Um adolescente que lê o meu livro hoje, amanhã vai ler Baudelaire, Shakespeare, comentou. Ele exemplificou dizendo que considera um engano obrigar jovens que estão tendo suas primeiras experiências na literatura a ler livros como Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Com todo respeito ao Machado de Assis, que eu considero melhor que Dostoieviski, acho que existem várias plataformas na literatura. Tem gente que não enxerga isso, provocou.
Debates
Quem fala com o público hoje, às 15 horas, no Salão de Idéias, é o escritor Sérgio Amadeu, sobre o tema Exclusão Digital e Cidadania. Já no Encontro das Editoras Universitária, o debate é sobre o Timor, com a fotógrafa Regina Santos, às 17 horas. Às 19h30, o autor Carlos Tadeu Viveiro fala sobre como conquistar e manter clientes.
Serviço
I Feira do Livro de Bauru, até dia 11, no Centro de Convenções Mixage, na praça Portugal, 4-44. Grátis.