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Infertilidade é grande entre homens

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Fatores masculinos são causa dos problemas de grande parte dos casais atendidos por ambulatório especializado

Os homens são responsáveis por grande parte dos casos de infertilidade entre os casais atendidos e diagnosticados pelo Ambulatório de Reprodução Humana, da Maternidade Santa Isabel.

De acordo com a médica ginecologista Cristiane Castilho, uma das profissionais assistentes do Ambulatório de Reprodução Humana, os fatores masculinos estão entre as principais causas das dificuldades que os casais têm encontrado para a gravidez. Entre eles, estão: baixo número de espermatozóides; alterações na forma do espermatozóide e da motilidade (quando são imóveis ou estão mortos).

A médica esclarece que os dados referem-se aos primeiros casais atendidos pelo ambulatório, inaugurado no dia 24 de agosto deste ano.

O local funciona como um serviço de apoio aos casais cujas tentativas para engravidar não têm tido êxito há mais de um ano e meio. Atende exclusivamente usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que foram encaminhados pelos postos de saúde localizados nos bairros.

O serviço conta com uma equipe multidisciplinar composta por médicos ginecologistas, urologistas, psicólogas e assistentes sociais.

Entre as causas de infertilidade dos casais já diagnosticados pelo Ambulatório, 22% são referentes a fatores masculinos; 11% estão a esclarecer (ou seja, não há causa aparente); 10% devem-se a obstrução tubária (por endometriose ou infecção pélvica); 10% referem-se a descontrole hormonal (anovulação e alta taxa do hormônio indutor na produção do leite, por exemplo); e 5% são referentes a endometriose nas mulheres.

O médico ginecologista Eduardo Crivelari Baish, assistente do Ambulatório de Reprodução Humana, acredita que o grande número de fatores masculinos causadores de infertilidade deve-se ao aumento pela procura do tratamento e, conseqüentemente, aumento de diagnósticos. A literatura já fala que metade dos casos de infertilidade são de causa masculina, expõe.

As pacientes que foram submetidas a laqueadura e que desejam engravidar novamente também estão sendo acompanhadas no Ambulatório. No entanto, elas não têm prioridade no atendimento. Estamos priorizando aqueles pacientes que ainda não têm filhos, expôs o médico.

Tratamento

Alguns casos, como os de descontrole hormonal, podem ser solucionados com medicamentos. Os casos de endometriose e obstrução tubária, por exemplo, devem ser tratados com intervenção cirúrgica da paciente, seguidos de acompanhamento clínico.

Quando não há sucesso nas tentativas de engravidar naturalmente, após o tratamento inicial, assim como nos casos em que a causa refere-se a fatores masculinos, o problema pode ser solucionado com inseminação intra-uterina, ICS (sigla que significa injeção intra-citoplasmática do espermatozóide) e Fertilização In Vitro (FIV).

De acordo com o ICS surgiu como tratamento para causa masculina de infertilidade. No procedimento, um espermatozóide é manipulado e injetado diretamente no óvulo. O tratamento tem 35% de chance de ter êxito. A vantagem é que você não precisa de uma grande amostra, um grande número de espermatozóides para fazer isso, esclarece.

No FIV, óvulos e espermatozóides são colocados em uma proveta, que é deixada por algum tempo em uma estufa para que a fecundação ocorra. O método não garante a certeza de um embrião, muitaz vezes pela imobilidade dos espermatozóides ou pelo número reduzido dos mesmos. Atualmente, os dois procedimentos são usados tanto para infertilidade masculina como feminina.

A terceira alternativa é a inseminação intra-uterina. Trata-se de um método de reprodução assistida em que o espermatozóide é inserido dentro do útero da mulher, próximo às trompas. Ele é indicado em casos de infertilidade simples, como fator masculino leve, muco cervical feminino hostil à penetração do espermatozóide e, até mesmo, quando a causa é desconhecida.

No método, os espermatozóides mortos ou imóveis são inutilizados. O restante é tratado com substâncias que estimulam a mobilidade, para que penetrem mais facilmente nas tubas uterinas e encontrem o óvulo. De acordo com Baish, é um método mais simples, de custo reduzido, mas cuja probabilidade de êxito é inferior aos demais procedimentos: a chance de sucesso é de cerca de 20%.

Procura

Os casais cujos casos de infertilidade já foram diagnosticados estão aguardando fornecimento de medicamentos, que está sendo negociado entre a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e o SUS.

A procura de casais pelo tratamento no Ambulatório de Reprodução Humana da Maternidade Santa Isabel tem sido bastante grande, de acordo com os médicos assistentes. A agenda já está lotada para o final deste ano, mas novas datas deverão ser agendadas para o início do ano que vem.

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