A política internacional não ficou de fora da programação da I Feira do Livro de Bauru, que encerrou no domingo. Os atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, o ataque anglo-americano ao Afeganistão e suas conseqüências foram discutidos no debate, Ecos da Guerra e do Terror no Brasil que foi realizado no auditório, no Encontro das Editoras Universitárias, no dia 6. Com a participação do jornalista Carlos Eduardo Lins e Silva, membro do Centro Internacional do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP) e sub-editor chefe do jornal Valor Econômico; Tullo Vigevani, professor de Ciências Políticas da Unesp; e do professor de História da Emory University de Atlanta, Jeffrey Lesser, o debate, mediado pelo presidente da Editora da Unesp, José Castilho Marques Neto, contou com uma boa participação do público, curioso para tentar entender os rumos que os acontecimentos no mundo vão tomar daqui para frente.
De acordo com Lesser, que também é professor convidado da USP e desenvolve um trabalho sobre o Brasil, em princípio, os atentados tendem a reduzir a liberdade dos indivíduos dentro dos Estados Unidos. O estudioso também salientou que, ao contrário do que se comenta no Brasil, A CNN não é uma unanimidade como fonte de notícias nos Estados Unidos. O professor americano se mostrou surpreso com a reação de muitos brasileiros que consideraram o ataque terrorista justo, apesar das vítimas. Na opinião de Tullo Vigevani esse anti-americanismo exacerbado, presente em determinados setores da sociedade brasileira, é tão irracional quanto o ato terrorista em si, assim como também o é o ataque ao Afeganistão. O professor da Unesp afirmou ter esperanças de que todos os acontecimentos pós 11 de setembro resultem numa rediscussão dos valores atuais, embora seja um pouco pessimista sobre isso. Para Jeffrey Lesser a possibilidade de que os americanos passem a ver sua posição no mundo de maneira diferente é difícil.
Vantagens para o Brasil
Segundo Carlos Eduardo Lins e Silva, o Brasil pode levar algumas vantagens com o conturbado quadro mundial, se souber como conduzir sua política externa com diplomacia, sem que seja necessário enviar soldados para o conflito. Para o jornalista, o Brasil, ao invocar o Tratado Interamericano de Defesa Recíproca, se sobressaiu na América Latina, assumindo uma posição de líder continental. Economicamente, apesar do agravamento da recessão num primeiro momento e da queda de exportações para os Estados Unidos, Silva afirmou que o Brasil pode acabar tendo vantagens se começar a pensar em substitutos nacionais para os produtos importados.