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Sem-terras fazem ato para pressionar assentamentos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Um grupo formado por sem-terras acampados em Iaras, famílias cadastradas para reforma agrária e membros de sindicatos e entidades que participam da I Semana da Reforma Agrária, da Consciência Negra e da Mulher Trabalhadora realizaram, ontem à tarde, um ato de protesto em frente à agência central dos Correios de Bauru.

Com cartazes e faixas, eles reivindicaram o assentamento dos sem-terras que hoje vivem em acampamentos e das famílias que, desde março, estão sendo cadastradas pelo governo federal para o programa de reforma agrária nos Correios. Em Bauru, de acordo com Rosildo Santos, da coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), foram cadastradas cerca de mil famílias, que estão aguardando serem chamadas para receber terras.

Santos explicou que os sem-terra decidiram realizar o ato porque o presidente Fernando Henrique Cardoso prometeu assentar os cadastrados dentro de quatro meses, mas até agora nenhuma família teria recebido terras. No Brasil, de acordo com o MST, foram cadastradas mais de 150 mil famílias.

Para o MST, o governo não vai assentar as famílias já cadastradas tão logo. Santos lembrou que 450 famílias estão acampadas em terras da União no município de Iaras, região de Avaré, sem que haja previsão de quanto serão assentadas.

Os Correios continuam cadastrando as famílias com origem rural interessadas em participar do programa de reforma agrária do governo. No final do ato de ontem, os participantes depositaram um punhado de terra em frente à agência dos Correios, uma forma de protesto pela demora dos assentamentos.

A I Semana da Reforma Agrária, da Consciência Negra e da Mulher Trabalhadora, que termina hoje, está sendo realizada pelo Fórum Permanente de Luta pela Reforma Agrária de Bauru e Região. Fazem parte do evento manifestações e palestras com o objetivo de ampliar, junto à comunidade, o debate sobre a distribuição de terras, sobre o racismo e sobre a flexibilização dos direitos trabalhistas, em especial os que beneficiam as mulheres. Um grupo de sem-terras montou um acampamento simbólico na Praça Rui Barbosa, onde estão sendo realizadas várias manifestações culturais.

Programação

Hoje

19h30 - Palestra Reforma agrária e a luta pela terra, na Universidade do Sagrado Coração (USC)

Amanhã

10 horas - Comitê em Defesa dos Direitos da Mulher realiza um ato no Calçadão da Batista de Carvalho, com distribuição de cartilhas explicativas sobre a Convenção 103 e coleta de assinatura contra o projeto do senador Luiz Pontes (PSDB/CE)

17 horas - Festa de encerramento, no Sindicato dos Bancários. A entrada custará um quilo de alimento não perecível (exceto sal)

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