Apesar das inúmeras campanhas, Hemocentro recebe só a metade do sangue que precisa para operar com relativa normalidade
Hoje, é comemorado o Dia Nacional do Doador de Sangue. Em Bauru, o Hemonúcleo da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), recebe por dia entre 20 e 30 doadores, um número insuficiente para atender a demanda de sangue em todos os hospitais da cidade e da região aos quais abastece.
Para sensibilizar a população, o Hemonúcleo estendeu as comemorações até o dia 30, criando a Semana do Doador, que começa amanhã. Todas as pessoas que forem até lá fazer a doação terão um café da manhã especial, ganharão uma camiseta e ainda vão participar de um sorteio de um violão como forma de agradecimento. Nos dias 28 e 29, à tarde, haverá coleta de sangue para o Hemonúcleo também no Supermercado Wal-Mart.
Diariamente, são realizadas cerca de 100 transfusões sanguíneas em Bauru, quando há falta de sangue, cirurgias chegam a ser canceladas. Nessa última semana isso aconteceu quatro vezes. Para se ter uma idéia, para fazer uma cirurgia de coração são necessários 20 doadores.
Segundo a médica hemoterapeuta do Hemonúcleo, Cláudia Mariana Assato, seriam necessárias, no mínimo, 50 doações diárias para que o estoque de sangue fosse regularizado e deixasse de ser uma preocupação.
A quantidade de doações não é suficiente porque a população ainda tem dúvidas e preconceito sobre a coleta sanguínea (leia no boxe) e também pela falta de doadores constantes (ou fidelizados), aqueles que doam apenas por doar, que são só 30% do total. A maioria das pessoas que vai ao Hemonúcleo doa o sangue porque tem algum parente ou conhecido internado e precisando de sangue, é a chamada coleta de reposição.
O tipo sanguíneo que mais falta atualmente é o O positivo, o chamado doador universal, pois pode ser transferido para pessoas que tenham qualquer outro tipo de sangue. Esse tipo, é o mais comum na população brasileira por isso sua demanda é maior, já que a grande maioria dos pacientes dos hospitais é O positivo.
Derrubando mitos
Apesar das inúmeras campanhas informativas, uma boa parte da população não doa sangue por medo de adquirir alguma doença. As pessoas ainda acham que podem passar mal ou ficarem viciadas em doar, lembra a médica Cláudia Assato, para quem esses medos são infundados. O recolhimento do sangue do doador é muito seguro e sempre feito com materiais descartáveis, por isso não há risco de se contrair alguma doença, explica.
Após a doação, o organismo começa a trabalhar para compensar a quantidade de sangue retirada e pouco tempo depois o volume se normaliza, por isso não há razão para crer que doar pode fazer mal. Doar não vicia, nem cria a necessidade de que a pessoa doe sempre, já que o organismo repõe o sangue na quantidade certa.
O preconceito em relação a doação é uma questão cultural. No Brasil, as pessoas acham que não é problema delas a falta de sangue, que o hospital tem que se virar, mas a doação de sangue é um problema da sociedade, afirma Cláudia Assato. Em países como os Estados Unidos a doação é muito mais popular, existem até pontos de coleta em shopping centers, desvinculando a imagem da doação dos hospitais, o que extremamente positivo. Apesar disso, não é possível reclamar na opinião da médica. A gente tem é que agradecer sempre as pessoas que vêm até aqui fazer as doações e esperar que o número sempre aumente porque a gente precisa, diz.