Representantes da empresa devem visitar o município nos próximos dias para explicar às autoridades detalhes do projeto
Bariri - A AES Corporation, uma das grandes companhias de energia do mundo, está dando início ao processo de licenciamento ambiental para a construção de uma usina termelétrica em Bariri.
Como o tema ainda não é unanimidade onde quer que seja discutido, representantes da empresa e dos Poderes Executivos e Legislativos de Bariri estarão reunidos amanhã, na Prefeitura, para uma apresentação informal do projeto.
A reunião está marcada para as 20 horas e será a portas fechadas, ou seja, não vai ser permitida a presença da imprensa ou da população.
Além do prefeito Francisco Leoni Neto (PTB) e dos vereadores, devem participar da apresentação o gerente do projeto, Marco Antônio Carvalho, e Alex Strew - responsável pelos estudos do impacto ambiental que a obra pode causar ao município.
De acordo com a assessoria de imprensa da AES, a apresentação do projeto foi uma solicitação dos próprios vereadores de Bariri, que estariam curiosos e preocupados com a construção da usina. O objetivo da reunião seria esclarecer os pontos mais duvidosos do projeto. Ainda não existe usina termelétrica em funcionamento na região.
Depois de esclarecer as dúvidas das autoridades políticas locais, a empresa responsável pelo projeto estará abrindo espaço para questionamentos da imprensa. Uma coletiva foi marcada para as 10 horas de terça-feira, na Pousada Vila Bariri, às margens da rodovia SP-261, entre Bariri e Boracéia.
Usina deve gerar 750 megawatts
Bariri - A usina termelétrica que deve ser construída em Bariri terá capacidade para gerar 750 megawatts - quantidade suficiente para atender ao consumo de mais de dois milhões de residências. O empreendimento deve contribuir para o aumento da oferta de energia elétrica que abastece a região do Oeste-Paulista e a área Metropolitana de São Paulo, um dos maiores pólos industriais brasileiros.
Além da geração de até 750 empregos diretos durante o pico da construção, a usina contribuirá ainda para o aumento da arrecadação municipal de impostos (ICMS e ISS). Com o início da obra, há esperanças ainda de que empresas sejam atraídas para a região, principalmente para Bariri e Boracéia.
De acordo com a assessoria de imprensa da AES, o investimento total do projeto é de US$ 450 milhões.
A área escolhida tem 52 hectares. Entre outras vantagens em construir uma usina termelétrica em Bariri, a empresa cita a proximidade com o Gasoduto Brasil-Bolívia. Isso facilitaria a operação da usina, que precisaria apenas da construção de ramais para transportar até a usina os três milhões de metros cúbicos de gás/dia que serão necessários para a geração da energia total prevista no projeto.
Outro fator importante para escolha do local da usina é a proximidade da linha de transmissão Bauru-Araraquara, de 440 kV, que escoará a energia gerada por todo o sistema interligado brasileiro. Além disso, a usina poderá contar ainda com a disponibilidade permanente de água do rio Tietê para o consumo de 734 mil litros/hora.
A iniciativa de construção de uma nova usina, como a termelétrica visa atender à necessidade de soluções concretas para reduzir o déficit do setor energético brasileiro. No país, onde mais de 85% da geração de energia é proveniente de usinas hidrelétricas, a utilização do gás natural é uma alternativa frente à escassez de água nos reservatórios.
O gás natural é um combustível que vem sendo largamente utilizado na Europa e nos Estados Unidos, para geração de energia. O grupo AES tem outras termelétricas instaladas pelo mundo, entre as quais a AES Medway (Inglaterra), a AES Mérida (México) e a AES Uruguaiana (Brasil).
Investimento recorde
Investimentos na área de energia elétrica no País, entre 2001 e 2003, chegarão a mais de US$ 14 bilhões, incluindo usinas hidrelétricas, termelétricas, linhas de transmissão, subestações de energia e obras de infra-estrutura para a importação de energia de países vizinhos.
Esse valor representa recorde de investimentos no setor, segundo estudo feito pela Associação Brasileira de Infra-estrutura e Indústrias de Base (ABDIB), entidade que reúne os maiores investidores em projetos de infra-estrutura. Caso os projetos sejam concluídos, haverá um acréscimo de 14.228 megawatts de geração de energia no Brasil até dezembro de 2003. Desse total, 7.805 megawatts viriam de 21 hidrelétricas e outros 6.423 megawatts de 15 termelétricas.
O estudo também prevê o acréscimo de outros 2.836 megawatts importados da Argentina, Bolívia, Uruguai e Paraguai. Do total de US$ 14 bilhões em investimentos, a metade está sendo aplicada em usinas hidrelétricas; US$ 4,4 bilhões em termelétricas; US$ 1,2 bilhão em linhas de transmissão; US$ 426 milhões em subestações elétricas e US$ 992 milhões em obras de transmissão.
Cerca de 65% do total de investimentos virão da iniciativa privada, incluídos aí investimentos nacionais e estrangeiros. Outros 35% devem sair de estatais estaduais e federais, associadas aos projetos.
Usina de Pederneiras espera licença ambiental
Pederneiras - As obras da usina termelétrica de Pederneiras devem começar assim que a Secretaria Estadual do Meio Ambiente aprovar o licenciamento ambiental, que dá direito a uma licença prévia, sem a qual não é possível começar os trabalhos.
A gerência de Meio Ambiente da multinacional Duke Energy, empresa responsável pela construção da usina, espera a licença ainda para esse mês.
A previsão da empresa é que a usina entrará em funcionamento entre agosto e outubro de 2003. Desde que anunciou a intenção de instalar a termelétrica em Pederneiras, a Duke Energy vem, por meio de audiências públicas, defendendo a viabilidade da obra.
Técnicos da empresa garantem que não haverá risco significativo à natureza. Eles argumentam que a emissão de poluentes na atmosfera vão ficar abaixo dos padrões recomendados internacionalmente. Com isso, a qualidade do ar não será afetada. A empresa já adiantou que tomará todo cuidado necessário para evitar qualquer dano ambiental.
Ambientalistas
Apesar das garantias da empresa, ambientalistas não estão totalmente convencidos. Tanto o Instituto Ambiental Vidágua quanto o Fórum Pró-Batalha estão cobrando medidas compensatórias ao meio ambiente. Em recente reunião, o Vidágua manifestou preocupação com a falta de proposta da Duke Energy para o combate à liberação de óxido de nitrogênio e enxofre, que poderia causar chuva ácida na região.