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Transgenia: alimentos personalizados

Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Os alimentos transgênicos ainda causam muitas dúvidas nos consumidores. O primeiro objetivo deles seria melhorar a produção agrícola

Arroz com betacaroteno ou com ferro, milho com mais proteína. Quem sabe até verduras, legumes e frutas personalizadas para quem tem alergia a um de seus componentes. Não se trata de ficção, mas de possibilidades de aplicação da tecnologia dos transgênicos em novos alimentos.

Melhorar a produção agrícola foi o primeiro objetivo do desenvolvimento de produtos transgênicos. A segunda fase, que já começou em laboratórios do exterior, vai criar alimentos transgênicos com benefícios nutricionais. A transgenia ainda promete uma terceira fase: a veiculação de vacinas por meio de frutas e vegetais modificados geneticamente.

O País desenvolve pesquisas com transgênicos para melhoramento agrícola e para a veiculação de vacinas. Na área de alimentos transgênicos com benefícios nutricionais, ainda não há nenhuma criação brasileira.

Bem ou mal

Não existe estudo comprovando que alimento geneticamente modificado faz mal à saúde, afirma Flavio Finardi Filho, professor do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP). Desde o início do ano, a nutricionista Cintia Bezuti, pesquisadora da FCF-USP, se ocupa com a leitura de estudos sobre os efeitos de alimentos geneticamente modificados em animais. Nenhum dos estudos que li mostra efeito adverso causado por esse tipo de alimento.

Para quem teme a manipulação genética, o professor Finardi lembra que não existe nenhum alimento que não tenha sido melhorado geneticamente. Do contrário, não haveria produção de alimento tão eficiente, em grande escala e com tantas variedades. Os alimentos modificados geneticamente são uma ferramenta extra para a indústria, diz o professor.

Há 50 anos na pesquisa e no ensino, o geneticista Ernesto Paterniani, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, explica que só faltam condições para que a sociedade aceite os transgênicos. O setor privado se esqueceu de explicar o que é transgênico. Enquanto isso, outros se aproveitaram da falta de informação para instalar o medo e a resistência.

Funcionais

Em abril do ano passado, chegava às prateleiras dos supermercados o primeiro alimento funcional aprovado pelo Ministério da Saúde: a margarina Becel pro.activ, fabricada pela Unilever Bestfoods. O que ela tem a mais são fitosteróis que ajudam a reduzir o colesterol. Estudos científicos mostraram que a ingestão diária de uma colher de sopa (20 gramas) da margarina reduz o colesterol num prazo de três semanas.

Com colesterol alto há cinco anos, a professora de culinária Anna Luíza Pinheiro de Moura, de 72 anos, já estava de olho no lançamento do produto para testá-lo. Meu colesterol passou de 277 para 206. Mas Anna não relaxa nos cuidados que têm com sua saúde. Caminha todos os dias durante uma hora, mantém dieta equilibrada e faz acompanhamento médico.

A margarina é um instrumento a mais que pode ser usado no controle do colesterol. O produto não substitui o tratamento indicado pelo médico, afirma Ana Moraes, gerente de marketing de margarinas de saúde da Unilever para a América Latina.

Por indicação de seu médico, a dona de casa Sônia Maria Peres Fernandes, de 50 anos, procurou uma nutricionista que, além de balancear sua dieta, recomendou o uso da margarina enriquecida com fitosterol. Deu certo: o colesterol de Sônia baixou de 360 para 222. Tirei um problema da minha vida. Sônia já tinha tentado, sem sucesso, controlar o colesterol com medicamentos.

Orgânicos

O consumidor de alimentos orgânicos se preocupa com saúde. É o principal motivo do consumo desse tipo de produto, afirma Alexandre Harkaly, vice-presidente do Instituto Biodinâmico, um dos 16 órgãos de certificação de orgânicos. São mães que compram pensando nas crianças, idosos que já têm problemas de saúde ou quem já teve intoxicação ao lidar com agrotóxicos, completa Carlos André Issa Henriques, produtor rural do Sítio São Francisco, cooperativa especializada em cultura orgânica.

Desde que nasceu, Renata Araújo, de 2 anos, nunca comeu nenhuma hortaliça com agrotóxico. Queremos dar uma alimentação mais saudável para ela, diz seu pai, o gerente de marketing Fernando Araújo, de 44 anos. Toda semana, a família recebe em casa uma cesta de vegetais orgânicos. É mais caro, mas compensa.

A professora de ioga Leila de Souza Pinto, de 51 anos, é outra adepta dos orgânicos. Prefiro gastar mais com alimentação do que com remédio. Consumidora antiga de orgânicos, Leila diz que está mais fácil encontrar os produtos. As grandes redes de supermercados já oferecem essa opção. Antes, era necessário ir a feiras especializadas. Dados da Associação de Agricultura Orgânica (AAO) mostram que o mercado consumidor de orgânicos cresce 30% a cada ano.

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