Até ontem à tarde, a mulher do caseiro, que em bilhetes deu a entender que matou o marido, estava desaparecida.
O caseiro João Vieira de Mello, 42 anos, achado enterrado anteontem à noite na chácara onde morava, foi morto com uma pancada na cabeça. Ele foi enterrado de cabeça para baixo, com pés e mãos amarrados com arame e com o rosto tapado com um saco plástico. Esta é a conclusão da necrópsia feita pelo Instituto Médico Legal (IML).
A causa da morte do caseiro, segundo o IML, foi fratura de crânio. O crime, que abalou a cidade devido à maneira cruel que foi cometido, está praticamente esclarecido. A mulher de Mello, Aparecida de Fátima dos Santos, 42 anos, que está desaparecida, deixou bilhetes que dão a entender que ela foi a autora do crime.
Três bilhetes deixados na casa do casal, numa das chácaras do Condomínio Recanto Aprazível, localizado às margens da rodovia Bauru/Marília, dão a entender que a mulher era ameaçada e agredida por seu companheiro, situação que ela não estaria aguentando mais. Em um dos bilhetes, a mulher pede perdão aos filhos pela atitude tomada, diz que em outras vidas eles deverão se encontrar e explica que perdeu a razão.
A mulher conta aos filhos que seus documentos, com exceção do RG, foram deixados na casa. Ela se despede dizendo que vai morrer longe de Bauru para poupá-los da vergonha. Um outro bilhete ela dedica ao juiz. Dá a entender que ela cometeu o crime, porém, não chega a confessar. Senhor juiz, estou indo morrer. Largo meus filhos para não sofrer. Quando eles souberem o que fiz, quero estar longe daqui. Peço que ele rezem por mim, diz.
No terceiro bilhete, a mulher explica que fez tudo o que o amásio queria. Faz três meses que não vejo meu neto. Ele não deixa eu sair. Estou cansada de ser agredida. Tem gente no condomínio que sabe o que estou passando. Vou embora porque estou cansada das ameaças, deixou escrito.
Investigação
O caso foi encaminhado para o 1º Distrito Policial. Segundo o delegado titular, Ronaldo Divino, o trabalho da polícia será localizar a acusada para ouvir sua versão. Tudo indica que foi ela quem cometeu o crime, porém ela não chega a confessar. Temos que ouvi-la.
O delegado não descarta a possibilidade de ter mais pessoas envolvidas. Pode ser que alguém participou, mas uma pessoa, mesmo que do sexo feminino, que trabalha na área rural, pode muito bem ter praticado o crime sozinha. Geralmente são pessoas fortes.
Divino pretende ouvir os moradores do condomínio, para saber como era o relacionamento do casal e saber os motivos que supostamente levaram a amásia a matá-lo.
O caseiro foi morto no sábado e somente na noite de segunda-feira o crime foi descoberto. Um mototaxista entregou um aparelho celular e um relógio da vítima e um bilhete escrito por Aparecida a uma testemunha, que acionou a polícia. Diante da informação, os policiais da Base Oeste da PM foram para a chácara e encontraram a casa aberta com tudo em ordem.
Pouco depois, um parente da mulher acusada de ser autora do crime, apresentou-se dizendo que recebera um telefonema dela. Ao telefone, ela disse que estava em Campo Grande (MS) e que tinha matado o seu marido, cortado suas pernas e enterrado-o no quintal da casa, próximo a uma mangueira.
A delegada Cláudia Garms Armani, que estava de plantão anteontem à noite, e bombeiros foram para o local e encontraram o corpo enterrado em um buraco com pouco mais de um metro de profundidade e com diâmetro bastante reduzido. O corpo parecia ter sido socado para dentro da cova.
O que mais surpreendeu a delegada foi a crueldade com que o crime foi cometido. A vítima estava com pés e mãos amarradas e com a cabeça envolta em saco plástico. O corpo já estava em adiantado estado de putrefação.
Homem Bom
Uma ex-mulher do caseiro, que preferiu não ser identificada, pessoa muito simples, disse ao JC que João Vieira Mello era um homem bom, trabalhador e honesto. Ele nunca deixou faltar nada dentro de casa. Era um ótimo marido, mas quando bebia costumava falar demais e ficava violento, disse.
Segundo ela, o caseiro tinha dois filhos com a primeira mulher e que Aparecida era a sua sexta esposa. Ele era muito genioso, desconfiava de tudo. Por isso larguei dele. Ele era do tipo que não mandava recado, falava tudo que pensava, disse.