A deterioração da qualidade dos programas apresentados nas nossas emissoras de televisão com transmissão com sinal aberto está chegando ao ápice. A busca pelos índices do Ibope tem movido a maioria dos profissionais para um caminho sem ética e longe dos valores morais e cristãos que regem a nossa sociedade. É claro que existe o controle remoto e o livre arbítrio para se desligar o aparelho a qualquer momento, mas não é essa a questão central. É preciso repensar a programação desse que é o maior canal de comunicação existente e um dos poucos divertimentos ao qual a maioria de nossa população tem acesso gratuito.
O horário nobre virou um desfile de besteirol, falta de inteligência, divulgação de assuntos impróprios para crianças e idosos . Não se houve boa música, dando a impressão que os nossos artistas de talento tem receio de aparecer em meio a tanta mediocridade. O show de horrores e mau gosto não se restringe ao horário noturno semanal, mas atinge o seu ponto máximo aos domingos, quando temos de aturar o ultrapassado Faustão enfrentando o piegas Gugu Liberato. As mesmas perguntas tolas, os mesmos artistas fúteis, lágrimas falsas e uma imensidão de tolices banais durante horas. A televisão deixou de ser um veículo de lazer, informação e cultura para servir a uma minoria interessada na banalização dos nossos costumes e na exploração do sexo e da mulher.
Muitas pessoas ainda reclamam que alguns programas fazem pesquisas durante sua programação e se utilizam de um artificio para levantar fundos de forma lesiva aos bolsos dos telespectadores. É a utilização do chamado 0300, que é um sistema que ao contrário do 0800 (gratuito), cobra uma taxa por minuto de utilização. Como muitas pesquisas são feitas de forma gratuita, a aparição do sistema 0300 leva muitas vezes os menos avisados a incorrer ao erro. É preciso, portanto, muita atenção para não cair nessa arapuca. O desfile da mediocridade contrasta com a enorme quantidade e até da diversidade de talentos que o nosso pais possui nas artes cênicas, na música, na dança, no folclore, na criatividade de um povo que não consegue ser o espelho dessa televisão que prefere mostrar o mundo irreal de nossa sociedade.
A solução está na remodelação do atual modelo de nossa televisão, passando por um choque profundo na sua programação e na qualificação dos profissionais que tem a imensa responsabilidade de levar uma mensagem ao público que espera apenas por divertimento e lazer a frente da telinha. (Rafael Moia Filho)